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Rio de Janeiro, 30/12/2004
Desarmamento entra em nova fase
Depois de ser prorrogada por mais seis meses, a campanha agora ganha fôlego com novas estratégias e deve ir ao interior do país

Crédito: Desarme.org/Divulgação
da PrimaPagina

A prorrogação da campanha de desarmamento no Brasil até 23 de junho de 2005 marcou o início de uma nova fase do projeto. Os comitês de recebimento das armas se organizam suas estratégias para continuar e melhorar o processo de desarmamento da população a partir de janeira. Algumas das medidas que devem ser tomadas são a abertura de novos postos de recolhimento, a criação de comitês municipais e o desenvolvimento de campanhas de divulgação. Os organizadores pretendem que o Brasil ultrapasse o recorde mundial da Austrália de 640 mil armas recolhidas — atualmente foram entregues quase 250 mil em todo o território nacional.

Na informação deverá estar a estratégia mais importante para que isso aconteça. Peças de propaganda foram produzidas gratuitamente pela agência de publicidade Giovanni, FCB, retratando três grandes situações de risco para quem possui armas de fogo: a reação a assaltos, brigas acaloradas e a proximidade de crianças e adolescentes. Cartazes e folhetos que serão distribuídos a partir de janeiro terão a frase: “Basta um segundo para a arma transformar você em mais uma vítima. Ou criminoso”.

Nas áreas metropolitanas, como São Paulo e Rio de Janeiro, a campanha será reforçada. Mas os organizadores afirmam que agora é preciso direcionar as atividades para o interior do país. No Estado de São Paulo, estão sendo iniciados trabalhos para preparar ao menos parte das suas 200 unidades da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para servirem como postos de recolhimento de armas, com o apoio da Polícia Civil. Espera-se que igrejas também possam servir o mesmo propósito no futuro.

O foco dessa nova fase da campanha deverá também ser direcionado para jovens e famílias. Em entrevista ao site Desarme.org, Valéria Velasco, coordenadora do Comitê de Vítimas de Violência, afirmou que nos últimos 20 anos houve um aumento de mais de 30% de armas apreendidas das mãos de crianças e adolescentes.

As entidades envolvidas com a campanha do desarmamento procuram também fazer algo muito maior e mais complexo que o simples recolhimento de armas de fogo: a criação de uma cultura de paz prolongada. Para isso, querem, nessa segunda fase, esclarecer a população a respeito do referendo sobre a comercialização de armas, previsto para acontecer no próximo mês de outubro.

 
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