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São Paulo, 29/11/2006
Grupo estuda projetos anticrime do Brasil
Programa seleciona 177 práticas brasileiras de prevenção à violência, que farão parte de banco de experiências que inclui mais seis países

Crédito: Governo do Espírito Santo/Divulgação
TALITA BEDINELLI
da PrimaPagina

Cento e setenta e sete projetos brasileiros vão fazer parte de um banco internacional de iniciativas de prevenção à violência elaborado por um programa da OMS (Organização Mundial da Saúde). O Brasil é um dos sete países com ações escolhidas, e o único da América do Sul — há também dois da África (Moçambique e África do Sul) dois da Ásia (Armênia e Índia), um da América Central (Jamaica) e um da Europa (Macedônia).

As informações sobre os projetos farão parte do banco de dados, para que sejam disseminadas e para que as iniciativas participantes possam trocar experiências entre si. O programa da OMS responsável por agrupar as práticas é o AVPP (sigla em inglês para Projeto de Prevenção à Violência Armada). No Brasil, o levantamento foi feito pelo NEV (Núcleo de Estudos da Violência, da Universidade de São Paulo) .

A pesquisa começou a ser desenvolvida no Brasil em janeiro deste ano, com apoio do PNUD, do Ministério da Saúde, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (ligada à Presidência da República) e da SENASP (Secretaria Especial de Segurança Pública, do Ministério da Justiça). Ela identificou 550 projetos com potencial de serem inseridos no banco de dados, com a ajuda das secretarias municipais de todas as capitais e dos Estados, todos os ministérios, agências da ONU no Brasil e organizações não-governamentais.

A partir daí, os pesquisadores entraram em contato por telefone com os coordenadores desses projetos, para verificar se as atividades ainda estavam em vigor, se eles consideravam que seus trabalhos eram de prevenção à violência e se gostariam de participar do estudo. Sobraram 330 projetos, que receberam o questionário por e-mail. “De São Paulo, tínhamos como saber se eles haviam recebido e aberto o e-mail, se tinham começado a responder o questionário e depois desistido e se tinham completado as perguntas. Fazíamos contatos semanais para estimular o preenchimento e, com isso, tivemos mais de 50% de respostas, o que é uma boa taxa”, conta a pesquisadora do NEV Maria Fernanda Tourinho Peres.

O questionário, ressalta a pesquisadora, tinha a mesma metodologia para todos os países, com o objetivo de permitir uma comparação entre os perfis dos projetos nessas nações. Foram coletadas informações de como é feito o planejamento do trabalho, a população alvo, as atividades desenvolvidas, de que forma o programa avalia ou monitora as ações, e qual o tipo de violência que ele aborda — familiar ou comunitária, e se é física, sexual ou psicológica.

O levantamento apontou que, no Brasil, a maioria das 177 atividades cadastradas é destinada a jovens, a populações residentes em áreas periféricas, abordam ao mesmo tempo a violência familiar e a comunitária e são para as pessoas de renda baixa ou muito baixa (análise que não envolvia um limite de renda, mas a percepção dos coordenadores dos projetos). Outro fator de destaque, segundo a pesquisadora do NEV, é que a maioria dos projetos encontra-se na região Sudeste, especialmente em São Paulo, e a minoria nas regiões Norte e Nordeste.

“A participação dessas duas regiões foi pequena nos três momentos da pesquisa [com 550 projetos, com 330 e o com 177]. Acredito que um dos motivos para isso é a dificuldade que os projetos dessas regiões têm em obter recursos”, diz. De acordo com ela, o levantamento apontou que as fontes mais comuns de financiamento das atividades analisadas são as instituições públicas federais. “Os holofotes são muito virados para a região Sudeste, ela aparece mais na mídia, daí a maior visibilidade do Rio de Janeiro e em São Paulo. Enquanto em Pernambuco os coeficientes de mortalidade por homicídio são maiores e crescem mais”, destaca Fernanda.

Um dos resultados esperados pelos organizadores do programa é a formação de uma rede de troca de informações entre os projetos cadastrados, ressalta a pesquisadora. “A idéia é que essas informações sejam disponibilizadas para que os coordenadores conheçam os outros projetos. Uma atividade só não dá conta de tudo, e com isso é possível que uma organização da Bahia, por exemplo, conheça outras e possa encaminhar casos que não sejam da competência do seu projeto especificamente, mas precisem de ajuda”, afirma.

 
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