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Nova York, 24/01/2008
Levar esgoto para todos requer US$ 200 bi
ONU escolhe 2008 como Ano Internacional do Saneamento para acelerar avanço nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio

Crédito: Thomas Reyes/Projeto Barraco Cor
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RAFAEL SAMPAIO
da PrimaPagina

A ONU, que elegeu 2008 como Ano Internacional do Saneamento para acelerar o cumprimento do Objetivo do Desenvolvimento do Milênio (ODM) ligado ao setor, aponta que universalizar o acesso a esgoto no planeta requer US$ 10 bilhões por ano ao longo de duas décadas. Se esse mesmo valor for aplicado até 2015, será possível cumprir a meta de reduzir pela metade a proporção de pessoas que não contam com o benefício.

O valor de US$ 10 bilhões, segundo as Nações Unidas, equivale ao gasto anual dos europeus com sorvete, a um terço do dispêndio com água mineral no mundo e a menos de 1% dos gastos militares globais em 2005. “Apesar de os recursos necessários para resolver o problema de saneamento no mundo não serem altos, o retorno é grande, potencialmente”, afirma a nota oficial da ONU para o Ano Internacional do Saneamento.

Para celebrar o ano, estão previstas diversas atividades, como a 2ª Conferência Africana em Saneamento e Higiene, que acontece na África do Sul em fevereiro e deve reunir 250 ministros, parlamentares e representantes do poder público e da sociedade civil da região. O calendário inclui ainda o Dia Mundial da Água, em 22 de março, que terá como tema o saneamento.

Outros eventos marcados para este ano são a reunião da Comissão das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, em Nova York, em maio, e a Semana Mundial da Água, em Estocolmo, em agosto.

“Estima-se que 42 mil pessoas morram todas as semanas de doenças relacionadas à baixa qualidade de água e à ausência de saneamento, uma situação inaceitável”, afirma o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Entre 1990 e 2004, 1,2 bilhão de pessoas no mundo tiveram acesso a melhorias no saneamento. Entretanto, mais que o dobro – 2,6 bilhões – ainda sofrem com a falta de esgoto e de latrinas simples.

O Brasil, que, como os outros países da ONU, assumiu o compromisso com os Objetivos do Milênio em 2000, registrou um quarto de população sem acesso ao saneamento em 2004, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). A proporção de pessoas que desfrutam do recurso aumentou de 71%, em 1990, para 75%, em 2004.

As crianças pagarão o preço mais alto, pois sofrem mais com doenças e desnutrição. A ONU estima que a falta de saneamento resulta em uma morte infantil a cada 20 segundos, ou 1,6 milhão por ano. "O aumento do acesso a esgoto e água potável pode reduzir em um terço as mortes por diarréia em crianças no mundo", diz a nota oficial das Nações Unidas.

Universalizar o saneamento, destaca Ban, tem efeitos em todos os Objetivos do Milênio, “em particular os que envolvem meio ambiente, educação, igualdade de gênero, redução da pobreza e da mortalidade infantil”. Um estudo recente da OMS aponta que cada dólar gasto em melhoria das condições sanitárias no mundo gera um benefício econômico de US$ 7.

 
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