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Porto Príncipe, 14/01/2010
Dinheiro de emigrantes deve ajudar Haiti
Recurso enviado por haitianos que moram no exterior — que equivale a 20% do PIB — já auxiliou familiares após furacão Jeanne, de 2004

UN Photo/Evan Schneider
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Uma parte importante dos recursos para ajudar o Haiti após o terremoto de terça-feira deve ser vir dos haitianos que vivem no exterior. Nesse país com pouca estrutura e com a menor capacidade interna de investimento do mundo, o dinheiro enviado por parentes que moram em outras nações — Estados Unidos, principalmente — representa 20% do PIB (Produto Interno Bruto).

A ajuda externa enviada pelos próprios haitianos já foi importante no furacão Jeanne, que atingiu o país caribenho em 2004. O Relatório de Desenvolvimento Humano 2009, do PNUD, apontou esse apoio como um exemplo da relevância das remessas para a recuperação de locais afetados por tragédias naturais — outros casos mencionados foram o da Indonésia e do Sri Lanka após o tsunami e o do Paquistão após o terremoto de 2005. O estudo cita pesquisas segundo as quais, em nações pobres atingidas por desastres naturais, as remessas aumentam a ponto de compensar 20% ou até 60% do impacto financeiro de furacões.

Para se ter uma ideia da importância desses recursos no Haiti: em 2007, segundo o relatório do PNUD, cada emigrante mandou, em média, US$ 1,6 mil para seus familiares — uma fortuna num país em que o PIB per capita é de US$ 699 e em que 72% da população sobrevive com menos de US$ 2 por dia.

Atualmente, 7,7% da população haitiana vive no exterior, taxa maior que a média da América Latina e Caribe (5%), mas inferior à de outros países da América Central, como Nicarágua (9,1%), República Dominicana (também 9,1%) El Salvador (14,3%) e Jamaica (26,7%). O destino principal é a América do Norte (64,3%), seguido por América Latina e Caribe (25,7%), de acordo com o relatório do PNUD.

A maior parte dos emigrantes haitianos vive na vizinha República Dominicana e nos Estados Unidos. É deste que provém a maior parte das remessas. São famílias de haitianos que migraram para a Flórida a fim de trabalhar na colheita de cana-de-açúcar, mas que, após o processo de mecanização da lavoura e do desenvolvimento do turismo no sul dos EUA, foram trabalhar no setor de serviços.

Dos haitianos que vivem no exterior, 39% têm no máximo o fundamental completo, 40% concluíram o ensino médio e 20% terminaram a graduação. Estes fazem especial falta no país — 67% da população do Haiti com curso universitário concluído mora no exterior.

 
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