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Nova York, 10/02/2009
Desigual, China tem IDH de Europa e África
Rápido crescimento causou desigualdade de desenvolvimento entre as províncias chinesas e entre as zonas rural e urbana, diz relatório

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RENATA D´ELIA
da PrimaPagina

O rápido crescimento econômico da China trouxe disparidades entre o desenvolvimento das províncias mais ricas e mais pobres e entre zonas rurais e urbanas, afirma o Relatório de Desenvolvimento Humano da China 2007/2008, elaborado pelo PNUD com o Instituto Chinês para Reforma e Desenvolvimento. O IDH da província de Xangai, por exemplo, é o mais alto do país (0,917), e está acima de países com altos índices de desenvolvimento humano, como Portugal (0,915). Já no Tibete, os resultados são bem inferiores. O IDH (0,621) está próximo ao do Congo (0,619) e abaixo do desempenho da Namíbia (0,634).

Considerando separadamente cada um dos indicadores que compõem o cálculo do IDH, as disparidades são ainda mais visíveis. Os dados de 2006 revelam que, no Tibete, região autônoma e agrícola do país, a expectativa de vida é de apenas 64,37 anos, enquanto a de Xangai atinge 78,14 anos.

O componente Educação do IDH também é melhor em Xangai e na província de Tianjin (ambos com 0,929) e pior no Tibete (0,554). Mas as contradições se estendem a outros territórios. A província rural de Guizhou, no sudoeste da China, tem os piores números de alfabetização entre adultos: 81,21% deles são alfabetizados, comparados aos 95,53% de Pequim, região com o melhor indicador.

O PIB per capita também mostra diferenças ainda maiores entre as províncias. No topo está o de Xangai, a região mais rica, com 57.695 iuans (equivalentes a R$ 19.511 pelo câmbio de 30 de janeiro de 2009), mais de seis vezes o PIB per capita da região de Gansu, de 8.757 iuans (R$ 2.961,7).

Desigualdade entre cidade e campo

O relatório também indica que a renda líquida média dos moradores do campo é inferior à dos que vivem nos centros urbanos. Em Xangai, por exemplo, a renda per capita urbana disponível é de 20.667,91 iuans (R$ 6.989,62), e a renda per capita rural líquida é de 9.138.65 iuans (R$3.090,57), menos da metade. Em todas as províncias, a mesma relação se mantém.

Segundo o PNUD, entre 30% e 40% das diferenças de renda entre populações urbanas e camponesas acontecem devido ao acesso precário aos serviços públicos básicos de educação nas zonas rurais. Em 2002, estimava-se que acrescentar um ano de estudos além da média de escolaridade da população chinesa (7 anos) aumentaria, para um camponês, em 87 Iuans em sua renda anual. Para um indivíduo urbano, a renda anual aumentaria em 460 iuans.

Embora o investimento per capita em educação no país tenha aumentado de 166,5 para 270,9 Iuans entre 2002 e 2006, especialmente nas zonas rurais, o esforço ainda é insuficiente, de acordo com o documento. O relatório reforça que, somente por meio do compromisso governamental em fornecer serviços básicos de educação, saúde e previdência social de qualidade para as províncias menos favorecidas, especialmente no campo, é que as condições de trabalho e renda serão equiparadas.

 
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