Salvador, 27/12/2006 Grande Salvador tem IDH de Europa e África
Dados do Índice de Desenvolvimento Humano desmembrados por bairros ou grupo de bairros explicitam desigualdade social da região
do PNUD
Os pouco mais de 3 mil quilômetros quadrados da Região Metropolitana de Salvador reúnem localidades com condições de vida tão díspares quanto as da Europa e da África. A metrópole como um todo apresenta um padrão de desenvolvimento humano similar ao da Colômbia, mas alguns locais têm indicadores melhores que os da Noruega e outros amargam uma situação pior que a da África do Sul.
As disparidades ficam demonstradas no Atlas do Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana de Salvador, um software que traz cerca de 200 indicadores socioeconômicos, mapas e imagens de satélite e foi lançado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) pela CONDER (Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia), em parceria com a Fundação João Pinheiro e o IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O Atlas usa dados dos Censos de 1991 e 2000, do IBGE para dividir a região em 149 UDHs (Unidades de Desenvolvimento Humano, áreas que agrupam domicílios e habitantes que têm situação socioeconômica semelhante).
Há diferenças metodológicas entre o cálculo do IDH para os países e o do IDH-M dos bairros e grupos de bairros da Grande Salvador. Mas a comparação dos resultados torna possível salientar as disparidades internas da região. Ela abriga, por exemplo, quatro localidades que têm um índice superior ao da Noruega (0,965 no ano de 2004), que há seis anos consecutivos lidera o ranking internacional do IDH: Itaigara (0,971), Caminho das Árvores-Iguatemi (0,968), Caminho das Árvores/Pituba-Rodoviária, Loteamento Aquárius (0,968) e Brotas-Santiago de Compostela (0,968), todas na capital do Estado. Uma outra unidade — Pituba-Avenida Paulo VI, Parque Nossa Senhora da Luz, também em Salvador — tem índice igual ao norueguês.
Se fossem municípios, essas cinco localidades, e outras dez da Região Metropolitana de Salvador, superariam a cidade brasileira de maior IDH-M: São Caetano do Sul (0,919), na Grande São Paulo. Uma comparação com outros municípios que também dispõem de versões do Atlas do Desenvolvimento Humano mostra que essas cinco unidades soteropolitanas têm um IDH-M superior ao da região de maior desenvolvimento humano do Recife (Boa Viagem/Pina- Orla, Avenida Herculano Bandeira, com 0,964) e de Manaus (Flores-Praque das Laranjeiras, com 0,943), mas inferior ao da elite da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Carmo/Sion, com 0,973).
Na ponta de baixo da lista, Zona Rural-Areia Branca, CIA Aeroporto-Ceasa (0,652), na capital baiana, e Aratu/Cotegipe/ Mapele/ Palmares/ Santo Antonio do Rio das Pedras (0,652), no município de Simões Filho, têm um índice equivalente ao do Tadjiquistão, na Ásia Central, e pouco pior que o da África do Sul (0,653) e o de Guiné Equatorial (0,653) — países que ocupam, respectivamente, a 122ª, 121ª e 120ª posição no ranking global do IDH de 2004, composto por 177 nações e territórios. Caboto/ Caroba/ Madeira/ Menino Jesus/ Passe/Pindobas (0,656), em Candeias, e Coutos-Fazenda Coutos, Felicidade (0,659) e Bairro da Paz/ Itapuã-Parque de Exposições (0,664), em Salvador, têm padrão de desenvolvimento inferior ao de Vanuatu (0,670), na Oceania, e Guatemala (0,673), que ficam, respectivamente, no 119º e no 118º lugar na listagem internacional.
No ranking brasileiro do IDH-M, de 2000, Zona Rural-Areia Branca, CIA Aeroporto-Ceasa e Aratu/Cotegipe/ Mapele/ Palmares/ Santo Antonio do Rio das Pedras ocupariam a 3.738ª posição na lista de 5.507 municípios. Estariam ao lado de cidades como Dom Joaquim (MG), Guaiúba (CE), Jacareacanga (PA), Jacobina (BA), Novo Jardim (TO), Quixeré (CE) e Uruçuca (BA).
O IDH-M da região metropolitana (0,791) é pouco maior que o IDH da Colômbia de 2004 (0,790), pouco menor que o do Brasil do mesmo ano (0,792) e semelhante ao IDH-M de municípios como Cornélio Procópio (PR), Rio das Pedras (SP), Rondonópolis (MT), Sete Lagoas (MG) e Vera Cruz (RS). O IDH-M do Brasil em 2000 (0,723) supera o de 35 localidades da Grande Salvador e é igual ao de Cajazeiras/Fazenda Grande-Cajazeira VIII, Fazenda Grande II e III, na capital, e ao de Dom Avelar/ Malembá/ Nova Brasília/ Ouro Negro/ Pitanga, em Candeias.
O desmembramento do IDH-M em seus três subíndices indica que a Região Metropolitana de Salvador se sai melhor em educação e pior em longevidade. O IDH-M Renda (que usa como base a renda per capita e, no caso do IDH, o PIB per capita) da metrópole baiana é 0,731 — semelhante ao de países como Turquia e Tailândia (entre 65º e 70º lugar no ranking internacional) e ao de municípios como Cabo Frio (RJ), Canela (RS), Parati (RJ), Passos (MG), Peruíbe (SP) e São José dos Pinhais (PR), que ocupam a 439ª posição no ranking nacional do IDH-M Renda.
O IDH-M Longevidade (calculado a partir da esperança de vida) da região é 0,728, equivalente ao Honduras e Belarus (102º no ranking mundial) e igual ao de municípios como Diamantina (MG), Guajeru (BA) e Ipojuca (PE), 2.534 na listagem brasileira.
O IDH-M Educação (que leva em conta alfabetização e freqüência à escola) da Grande Salvador fica em 0,915, e equivale ao do Chile e Cingapura (46º no ranking global) e é igual ao de Araraquara (SP), Campo Grande (MS), Santa Tereza (RS) e Sorocaba (SP) — 164 no ranking nacional. |