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Genebra, 03/07/2006
Mundo falha em esgoto e combate à Aids
Estudo da ONU mostra que cresceu número de casos de HIV e que meta de reduzir população sem saneamento não deve ser cumprida

Crédito: ONU / Divulgação
da PrimaPagina

O mundo conseguiu avanços expressivos na maioria dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, mas falha nas ações para combater a proliferação da Aids e da tuberculose e não deve cumprir a meta de reduzir à metade, até 2015, a proporção de pessoas sem acesso a saneamento. A avaliação é do Relatório das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento do Milênio 2006, divulgado nesta segunda-feira. O estudo destaca os avanços no acesso à água potável e na educação básica e prevê que o mundo cumpra as metas nessas áreas.

Os países regrediram no Objetivo do Milênio que busca reverter a tendência de expansão da Aids e outras doenças, mostra o estudo mostra: ao invés de diminuir, a incidência do HIV e da tuberculose aumentou. O balanço sobre as ações para ampliar a cobertura dos serviços de coleta de esgoto também é negativo. Segundo o relatório, 66% da população do mundo em desenvolvimento não contava com saneamento adequado em 1990. Hoje, esse percentual caiu para 50%, o que deixa o mundo distante da meta de 33%. Nesse ritmo, o compromisso não deve ser atingido até 2015, calcula o relatório.

Por outro lado, os emergentes têm tido um bom desempenho nas metas de educação e acesso à água. Atualmente, 86% das crianças que vivem nos países em desenvolvimento estão na escola. A partir desse patamar, o relatório estima que, com esforços persistentes, é possível atingir o Objetivo de universalizar o acesso ao ensino básico até 2015. O estudo também faz uma previsão positiva para a meta de reduzir à metade a proporção de pessoas sem acesso à água potável. Essa taxa, que era 30% em 1990, caiu para 20% em 2004 e precisa chegar a 15% até 2015.

O desempenho dos países, porém, tem sido desigual. Embora na média o mundo esteja “no caminho certo” para cumprir o primeiro Objetivo do Milênio — de reduzir à metade a proporção de pobres —, os países do sul da Ásia são os grandes responsáveis por esse progresso. A publicação ressalta a lentidão da América Latina no combate à pobreza.

O estudo vê uma melhora na promoção da igualdade de gênero. O percentual de partos assistidos cresceu e a participação feminina nas escolas primárias, no mercado de trabalho e nos parlamentos também aumentou. Apesar disso, ainda persistem práticas discriminatórias, de acordo com o documento.

Na área ambiental, o relatório destaca progressos. O consumo de substâncias prejudiciais à camada de ozônio diminuiu, e a energia está sendo utilizada de forma mais eficiente. O desmatamento, causado principalmente pelo avanço da fronteira agrícola, está num ritmo menos acelerado. O texto enfatiza que não há garantias, no entanto, de que esses avanços sejam suficientes para evitar novas tragédias naturais.

A cooperação entre os países também aumentou, de acordo com o estudo, que aponta que em 2005 a ajuda humanitária dos países ricos às nações em desenvolvimento superou pela primeira vez a marca dos US$ 100 bilhões.

 
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