Brasília, 28/04/2006 Trabalho fora do lar dá mais poder à mulher
Combater discriminação no mercado é melhor que valorizar dona-de-casa, pois trabalhadora decide contas domésticas, dizem economistas
da PrimaPagina
Alguns economistas têm defendido que o trabalho das donas-de-casa seja contabilizado nas estatísticas governamentais. A idéia é que, ao mensurar a contribuição financeira que esse tipo de serviço significa para a sociedade, a mulher seria mais valorizada. Mas dois economistas do Centro Internacional de Pobreza, do PNUD, avaliam que o mais eficiente é adotar medidas que diminuam a discriminação no mercado de trabalho: quando as mulheres têm um emprego remunerado, argumentam os estudiosos, elas conseguem maior poder de decisão sobre as contas do lar.
"Mesmo que as mulheres conseguissem obter reconhecimento oficial de seu trabalho, seu poder de barganha no domicílio provavelmente seria menor que o dos homens se elas não fizerem contribuições monetárias para o domicílio", afirmam Hyun H. San e Nanak Kakwani no artigo Women's earning power and wellbeing, publicado pelo Centro Internacional de Pobreza, em Brasília.
“Apesar de as mulheres terem tanto a oferecer quando os homens em uma ocupação, elas geralmente não conseguem desempenhar um papel ativo no mercado de trabalho, porque enfrentam várias dificuldades dentro e fora de casa”, observam. “Algumas dessas dificuldades poderiam ser eliminadas por políticas de governo destinadas a tornar o mercado de trabalho menos discriminatório. Essas políticas poderiam melhorar o bem-estar da sociedade e teriam um impacto mais direto no empoderamento das mulheres do que as ações para reconhecer o serviço não-remunerado nas estatísticas oficiais”, recomendam.
As pesquisas têm mostrado, segundo Hyun e Kakwani, que, quando aumenta a participação da mulher no orçamento familiar, ela é capaz de influenciar mais no destino dos recursos. “Seu maior potencial de ganho dá a elas um maior poder de barganha”, resumem. |