MARÍLIA JUSTE
da PrimaPagina
Criada em 1980, a UPAZ (Universidade para a Paz), das Nações Unidas, começará, a partir de 2006, a trabalhar oficialmente com o Brasil na promoção de estudos sobre violência urbana. A instituição, em parceria com a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, ligada ao Ministério da Educação), vai oferecer bolsas de estudos para estudantes brasileiros completarem créditos de mestrado na sede da UPAZ, na Costa Rica.
Em 2005, a UPAZ atendeu 82 estudantes de 36 países em seus seis programas de mestrado. Em 2006, a projeção é receber pelo menos 120 alunos. Esse aumento é reflexo de uma diretriz do secretário-geral da ONU e presidente honorário da UPAZ, Kofi Annan, para que as atividades da universidade sejam ampliadas. O Brasil foi um dos países selecionados para a criação de novas parcerias.
“O Brasil é um país onde a violência urbana é fato e não teoria, e também onde há uma grande mobilização para acabar com esse problema”, explica Giorgio Romano, assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República, órgão responsável pelo contato com a UPAZ, depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva designou seu ministro Luiz Dulci para essa tarefa, no ano passado. Respondendo a isso, Kofi Annan convidou Dulci para integrar o Conselho Mundial da UPAZ.
Nas conversas entre a ONU e o governo brasileiro, foram identificados 40 centros de pesquisa universitários que trabalham com a temática da violência e poderiam enviar mestrandos para estudar na Costa Rica, como o NEP/UnB (Núcleo de Estudos para a Paz e Direitos Humanos da Universidade de Brasília) e o NEV/USP (Núcleo de Estudos de Violência da Universidade de São Paulo). Esses centros, segundo Romano, se destacam por terem uma atuação forte com entidades da sociedade civil.
Para os pesquisadores brasileiros que forem selecionados, a vantagem é clara. Além da experiência de vivenciar a realidade de um país estrangeiro, eles poderão aprender com pesquisas feitas em diversos países. Para a ONU e o governo brasileiro, os benefícios estão no fortalecimento do combate à violência. “Você só pode atacar um problema se conhecer esse problema”, explica Romano. “Esses núcleos são responsáveis por identificar quais são as maiores dificuldades do trabalho de promoção de paz e quais são as políticas públicas e ações da sociedade civil que realmente dão resultado”.
A parceria com a Universidade da Paz prevê projetos do tipo “bolsa sanduíche”, como é conhecida no jargão acadêmico. O mestrando fará parte das aulas no Brasil, depois vai estudar de um a dois semestres da capital costarriquenha, San José, e voltará ao Brasil para terminar a dissertação de mestrado.
Os detalhes da parceria entre a UPAZ e o Brasil serão divulgados em um evento na quinta e na sexta-feira. Aproveitando a oportunidade, o governo organizou o Seminário Internacional Educação para a Paz e os Direitos Humanos, para discutir o assunto e divulgar o trabalho da universidade no país. Luiz Dulci estará presente, assim como a reitora da UPAZ, Julia Marton-Lefèvre, e a representante da UNESCO no Brasil, Rosamaria Durand. O coordenador da Unidade de Direitos Humanos e Cidadania do PNUD Brasil, Guilherme Almeida, também estará no evento. O PNUD foi a agência do Sistema das Nações Unidas no país responsável pela aproximação da UPAZ com o governo.