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Metade da população das regiões pobres
da África e Ásia não tem acesso a remédios
essenciais que preveniriam milhões de mortes
Nova Iorque, 17 de janeiro de 2005 - Há aproximadamente
1,7 bilhão de pessoas no mundo, cuja maioria mora em países
pobres, que não tem acesso regular a medicamentos essenciais.
Essa insuficiência de remédios básicos contribui
enormemente para mortes desnecessárias de milhões de
crianças e adultos a cada ano, a maioria decorrente de uma lista
pequena de doenças preveníveis.
Entretanto, essa situação pode ser remediada por meio
de ações específicas visando o desenvolvimento
de remédios novos e efetivos para as moléstias de maior
prioridade nos países em desenvolvimento, a manutenção
de um suprimento adequado de medicamentos e a melhoria de seus processos
de distribuição, bem como reduzindo seus preços
e garantindo sua correta utilização, como recomenda o
relatório da Força-tarefa sobre HIV/AIDS, Malária,
Tuberculose e Acesso a Medicamentos Essenciais do Projeto Milênio
das Nações Unidas.
O Grupo de Trabalho foi dirigido por Paula Munderi do
Conselho de Pesquisas Médicas de Uganda. Ela coordenou a equipe
de especialistas que há dois anos vêm elaborando soluções
para o problema da provisão de medicamentos básicos para
as populações pobres do mundo. Suas conclusões
são parte de um abrangente plano de ação global
para combater a pobreza, as doenças e a degradação
ambiental no mundo em desenvolvimento.
Como indica o relatório Prescrição para o
desenvolvimento saudável: aumentando o acesso a medicamentos , “O
problema do reduzido acesso a remédios pode ser solucionado,
e o mundo possui os recursos necessários para tal”.
Há um forte consenso, que permeia todas as Forças-tarefa
sobre Saúde do Projeto Milênio das Nações
Unidas, de que esforços para ampliar o tratamento das principais
doenças devem ocorrer no âmbito de um esforço maior,
para fortalecer os sistemas de saúde locais e ampliar o acesso
a tais sistemas. O plano do Grupo de Trabalho para prover medicamentos
aos pobres do mundo inclui:
Reorientar os processos e incentivos de P&D
de forma que passem a enfatizar os medicamentos necessários
ao tratamento das principais doenças que acometem as populações
pobres , tais como HIV/AIDS, malária e tuberculose.
Ampliar imediatamente os recursos de doações
para a área da saúde e garantir que tais
fundos sejam harmonizados, de modo a evitar sobrecarregar países
beneficiários com pedidos onerosos e redundantes de relatórios.
Criação de formas flexíveis
de precificação, que contribuam para eliminar barreiras
financeiras ao acesso a medicamentos . Por exemplo, os preços
de medicamentos nos países em desenvolvimento deveriam ser
reduzidos ao mínimo nível sustentável, o que,
em muitos países desse grupo, significa que seriam fornecidos
ao preço de custo (“sem lucro, sem perdas”).
Uso de canais privados, públicos e sem
fins lucrativos para melhorar os sistemas de aquisição
e de fornecimento de medicamentos nos países em
desenvolvimento. Cada país deveria desenvolver e atualizar
uma lista daqueles remédios essenciais que reflita suas necessidades
prioritárias na área de saúde, lista essa que
possa ser utilizada como base para as decisões quanto à aquisição
e suprimento.
Abordar o problema da sobre-prescrição
e da prescrição inapropriada por meio de
orientação aos provedores e àqueles que receitam
medicamentos, bem como através da regulamentação
do marketing de medicamentos a profissionais de saúde.
Garantir que mulheres e meninas tenham acesso
igualitário a medicamentos. A coleta de dados desagregados
por sexo acerca do acesso e uso será decisiva para orientar
políticas, planos e orçamentos.
Garantir número suficiente de farmacêuticos
e técnicos em farmácia bem treinados , por
meio de apoio financeiro e assistência técnica a programas
de treinamento e ações focadas no encorajamento a serviços
localizados em áreas rurais e na redução da “fuga
de cérebros” para outros países.
Na última década, a maioria dos países em desenvolvimento
estabeleceu medidas para melhorar o acesso a medicamentos, com variados
graus de sucesso. Entretanto, mesmo em locais onde houve retrocesso,
a experiência adquirida indica fortemente que o progresso é possível.
O Grupo de Trabalho entende o acesso eqüitativo a medicamentos
essenciais como crucial para que sejam alcançados os compromissos
firmados em 2000 durante a Cúpula do Milênio, na qual
líderes mundiais concordaram em tornar a luta contra a pobreza – e
todas suas facetas – sua prioridade em países em desenvolvimento.
A cúpula inspirou os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio,
os quais foram construídos a partir do reconhecimento de que,
da saúde ao meio-ambiente, da educação à igualdade
entre sexos, uma lista cada vez maior de questões de desenvolvimento
não pode mais ser administrada exclusivamente dentro das fronteiras
de uma única nação.
A estratégia para a provisão de acesso a medicamentos
essenciais aos países em desenvolvimento é parte do Projeto
Milênio das Nações Unidas, o qual foi comissionado
pelo Secretário-Geral da ONU em 2002 para desenvolver um plano
de ação prático que habilite os países
em desenvolvimento a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio e a reverter o massacre da pobreza, da fome e das
doenças que atinge bilhões de pessoas. Sob a forma de
um órgão consultivo independente dirigido pelo Professor
Jeffrey D. Sachs, o Projeto Milênio das Nações
Unidas encaminhou suas recomendações finais em Janeiro
de 2005.
O Grupo de Trabalho sobre o Acesso a Medicamentos Essenciais foi convocado
pela Força-tarefa sobre HIV/AIDS, Malária, Tuberculose
e Acesso a Medicamentos Essenciais, uma das 10 Forças-tarefa
do Projeto Milênio das Nações Unidas que juntas
congregam 265 especialistas de todo o mundo, incluindo parlamentares;
pesquisadores e cientistas; formuladores de políticas públicas;
representantes da sociedade civil; agências da ONU; o Banco Mundial;
o Fundo Monetário Internacional e o setor privado. As equipes
das Forças-tarefas do Projeto Milênio das Nações
Unidas foram desafiadas a diagnosticar os principais impedimentos ao
alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e a apresentar
recomendações de como superar os obstáculos, colocando
as nações no caminho certo para atingir as metas até 2015.
Para maiores informações:
Projeto Milênio das Nações Unidas:
Erin Trowbridge, Tel: +1 (212) 906 6821, Cel: +1 (917) 291 7974 erin.trowbridge@unmillenniumproject.org
Luis Montero, Tel: +1 (212) 906 5754, Cel: +1 (347) 267 7237, luis.montero@unmillenniumproject.org
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento:
William Orme (Nova Iorque), Tel: +1 (212) 906 5382, Cel: +1 (917)
607 1026, william.orme@undp.org
Mattias Johansson (Bruxelas), Cel: + (46-70) 316 23 44, mattias.johansson@undp.org
Cherie Hart (Bangkok), Tel: + (66-2) 288 2133, Cel: + (66-1) 918 1564, cherie.hart@undp.org
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no
Brasil:
José Carlos Libânio (Brasília), Tel (61) 329-2040, jose.carlos.libanio@undp.org.br
Yolanda Pólo (Brasília), Tel: (61) 329-2014, yolanda.polo@undp.org.br
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
( www.pnud.org.br )
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