Investir em Soluções Comprovadas irá Virar o Jogo contra a AIDS

Força-tarefa afirma que medidas de prevenção e tratamento efetivas estão disponíveis para combater uma doença que matou 3 milhões de pessoas no ano passado e que hoje infecta 39 milhões

Nova Iorque, 17 de janeiro de 2005 – No ano passado a AIDS matou 3 milhões de pessoas - mais de 8.000 por dia, e a doença hoje infecta 39 milhões, das quais 25 milhões vivem na África Subsaariana. Além disso, a epidemia deixou órfãs 15 milhões de crianças, e agora ameaça explodir na Rússia e outras parte da ex-União Soviética, Índia, China e Sudeste Asiático.

A pandemia da AIDS permanecerá uma catástrofe global e se intensificará rapidamente em novas regiões, a não ser que líderes mundiais aumentem drasticamente o suporte a abordagens comprovadas de prevenção e tratamento, e se comprometam com objetivos claros para dominar a doença até 2015, de acordo com o relatório – Combatendo a AIDS no mundo em desenvolvimento – da Força-tarefa sobre HIV/AIDS, Malária, Tuberculose e Acesso a Medicamentos Essenciais do Projeto Milênio das Nações Unidas.

As descobertas do Grupo de Trabalho sobre HIV/AIDS da Força-tarefa foram lançadas hoje como parte de um plano de ação global para combater a pobreza, as doenças e a degradação ambiental em países em desenvolvimento. O grupo de trabalho foi liderado pela Dra. Agnes Binagwaho , secretária executiva da Comissão Nacional de Combate à AIDS de Ruanda, e pelo Dr. Josh Ruxin , professor clínico assistente de saúde pública da Escola Mailman de Saúde Pública da Universidade de Columbia.

O grupo de trabalho acredita que o gasto atual com a AIDS é insuficiente. Apesar de haver amplo consenso que uma resposta abrangente à epidemia requereria pelo menos 10 bilhões de dólares por ano, a UNAIDS estima que apenas 4,7 bilhões de dólares tenham sido gastos em 2003.

“Nós agora temos em mão um conjunto de maneiras efetivas e comprovadas de controlar a difusão do HIV e de prolongar a vida das pessoas já infectadas”, diz o relatório. “Ampliar o volume das intervenções já estabelecidas poderia salvar milhões de vidas e resultar no controle da epidemia”.

O relatório concluiu que os programas de prevenção e tratamento de fato funcionam. Entretanto, devido ao seu alcance limitado, eles têm tido pouco impacto sobre a doença. Por exemplo, apenas 8% das pessoas no mundo em desenvolvimento que poderiam se beneficiar de drogas anti-retrovirais as recebem; o acesso a serviços de prevenção da transmissão do HIV entre mãe e filho é igualmente pobre, a maioria dos jovens não possui informação confiável acerca de como se proteger contra a infecção.

As prioridades para vencer a luta contra a epidemia incluem:

•  Reforçar a prevenção por meio de rápido aumento na escala das abordagens efetivas conhecidas, bem como infundir os esforços de prevenção do mesmo senso de urgência e excitação que ora impulsionam os esforços de tratamento.

•  Serviços de prevenção e tratamento devem ser a mais alta prioridade em países onde a epidemia é concentrada em populações vulneráveis , tais como usuários de drogas injetáveis, trabalhadores do sexo, e homens que fazem sexo com outros homens. Esta priorização tem sido altamente eficaz na redução das taxas de infecção quando acompanhada de forte proteção aos direitos humanos.

•  Garantir acesso igualitário a tratamento . O grupo de trabalho endossa o objetivo da ONU de alcançar 3 milhões de pessoas com terapia anti-retroviral até o fim de 2005 (3 por 5, e propõe um objetivo de alcançar 75% do que dela necessitam até 2015.

•  Investir em sistemas de saúde será decisivo para expandir o tratamento nos países mais pobres enquanto se atingem outros objetivos de saúde. Programas de tratamento devem ser elaborados de tal modo que contribuam para o fortalecimento da provisão de todos os serviços de saúde.

•  Requerer mais dos governos nacionais e da ONU. Muitos governos nacionais ainda não fizeram do controle do HIV/AIDS uma prioridade suficientemente alta.

O grupo de trabalho acredita que fazer um progresso substancial contra o HIV e a AIDS é crucial para que sejam alcançados os compromissos firmados em 2000 durante a Cúpula do Milênio, na qual líderes mundiais concordaram em tornar a luta contra a pobreza – e todas suas facetas – sua prioridade em países em desenvolvimento. A cúpula inspirou os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, os quais foram construídos a partir do reconhecimento de que, da saúde ao meio-ambiente, da educação à igualdade entre sexos, uma lista cada vez maior de questões de desenvolvimento não pode mais ser administrada exclusivamente dentro das fronteiras de uma única nação.

Esta ambiciosa agenda visando uma grande expansão dos serviços de tratamento e prevenção em países pobres é parte do Projeto Milênio das Nações Unidas, o qual foi comissionado pelo Secretário-Geral da ONU em 2002 para desenvolver um plano de ação prático que habilite os países em desenvolvimento a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e a reverter o massacre da pobreza, da fome e das doenças que atinge bilhões de pessoas. Sob a forma de um órgão consultivo independente dirigido pelo Professor Jeffrey D. Sachs, o Projeto Milênio das Nações Unidas encaminhou suas recomendações finais em Janeiro de 2005.

O Grupo de Trabalho sobre HIV/AIDS é parte da Força-tarefa sobre HIV/AIDS, Malária, Tuberculose e Acesso a Medicamentos Essenciais, uma das 10 Forças-tarefa do Projeto Milênio das Nações Unidas que juntas congregam 265 especialistas de todo o mundo, incluindo parlamentares; pesquisadores e cientistas; formuladores de políticas públicas; representantes da sociedade civil; agências da ONU; o Banco Mundial; o Fundo Monetário Internacional e o setor privado. As equipes das Forças-tarefas do Projeto Milênio das Nações Unidas foram desafiadas a diagnosticar os principais impedimentos ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e a apresentar recomendações de como superar os obstáculos, colocando as nações no caminho certo para atingir as metas até 2015.

Para maiores informações:

Projeto Milênio das Nações Unidas:

Erin Trowbridge, Tel: +1 (212) 906 6821, Cel: +1 (917) 291 7974 erin.trowbridge@unmillenniumproject.org

Luis Montero, Tel: +1 (212) 906 5754, Cel: +1 (347) 267 7237, luis.montero@unmillenniumproject.org

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento:

William Orme (Nova Iorque), Tel: +1 (212) 906 5382, Cel: +1 (917) 607 1026, william.orme@undp.org

Mattias Johansson (Bruxelas), Cel: + (46-70) 316 23 44, mattias.johansson@undp.org

Cherie Hart (Bangkok), Tel: + (66-2) 288 2133, Cel: + (66-1) 918 1564, cherie.hart@undp.org

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil:

José Carlos Libânio (Brasília), Tel (61) 329-2040, jose.carlos.libanio@undp.org.br

Yolanda Pólo (Brasília), Tel: (61) 329-2014, yolanda.polo@undp.org.br  

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

( www.pnud.org.br )

 

 

 
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