Promover a Autonomia das Mulheres é Vital para Desenvolvimento Econômico Efetivo

Força-Tarefa desenvolve sete prioridades estratégicas para promover a autonomia das mulheres nos países mais pobres do mundo

Nova Iorque, 17 de Janeiro – Em todo o mundo, e particularmente em países pobres, meninas e mulheres sofrem os efeitos mais fortes da pobreza. Elas apoiam e cuidam de suas famílias. Elas sustentam a vida cultivando e coletando o alimento. Não obstante, nos mesmos lugares, elas enfrentam uma discriminação socioeconômica que as exclui de freqüentar escolas, de competir por trabalhos remunerados e de fazer parte da vida cívica. Mais de 40 por cento das mulheres na África não têm acesso aos níveis básico de ensino.

Mas o objetivo de maior igualdade vai além da paridade educacional, de acordo com um dos dois relatórios finais da Força-tarefa sobre Educação e Igualdade de Gênero do Projeto do Milênio das Nações Unidas, lançado hoje como parte de um plano de ação global para combater a pobreza, doenças e degradação ambiental em países em desenvolvimento.

A Força-tarefa sobre Igualdade de Gênero foi dirigida por Nancy Birdsall , presidente fundadora do Centro para o Desenvolvimento Global; por Amina J. Ibrahim , coordenadora nacional do programa Educação para Todos do Ministério da Educação da Nigéria; e por Geeta Rao Gupta , presidente do Centro Internacional para Pesquisa sobre a Mulher.

O relatório da Força-tarefa – Ação para atingir a igualdade de Gênero e empoderar as mulheres – defendeu um foco crescente na saúde sexual e reprodutiva e progresso no acesso a oportunidades econômicas por meio de um melhor acesso à infra-estrutura, direitos de propriedade e emprego. “Seria difícil imaginar no atual mundo desenvolvido uma família gastando uma ou mais horas todo dia coletando... madeira, resíduos agrícolas e esterco, quando se poderia substituir essas opções comprando combustível para cozinhar pelo um preço que representa meramente entre dois e cinco minutos da renda do trabalho”, diz o relatório. “Este ainda é um ônus das mulheres no mundo em desenvolvimento”.

O relatório também chamou a atenção para a epidemia de violência silenciosa contra as mulheres. Entre 10 a 69 por cento das mulheres relatam ter sofrido violência doméstica. A violência contra as mulheres não é apenas uma violação dos direitos humanos básicos, mas também uma restrição para o desenvolvimento econômico, argumenta o relatório.

A Força-tarefa focou especificamente em mulheres e meninas em domicílios pobres e nas disparidades encontradas na educação, transportes, água tratada, saneamento e fontes de energia; nas adolescentes e em mulheres e meninas que vivem em cenários de conflito e pós-conflito. As autoras identificaram sete prioridades estratégicas que, segundo elas, são um conjunto mínimo de ações com vistas a criar oportunidades para as mulheres, particularmente em educação e emprego, enquanto são protegidas de violência e abuso sexual:

  • Fortalecer as oportunidades das meninas que já tiverem educação fundamental, assegurando simultaneamente o ensino básico universal. Isto requer intervenções especiais para tornar as escolas mais disponíveis e seguras para as meninas, e para reformar o conteúdo do ensino.
  • Garantir a saúde sexual e reprodutiva e os direitos das mulheres e meninas, minimamente através de s istemas de saúde pública que estabeleçam serviços de planejamento familiar de qualidade, cuidados obstetrícios de emergência, apóiem o aborto seguro (onde este for legalizado) e forneçam prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis (como o HIV). Fora do setor de saúde, programas de educação sexual contribuem para o aumento da consciência sobre os direitos sexuais e reprodutivos e de seus efeitos.
  • Investir em infra-estrutura destinada a reduzir a quantidade de tempo gasto por mulheres e meninas em trabalhos onerosos, por meio do uso de formas alternativas para cozinhar, fogões aperfeiçoados para reduzir a poluição em ambientes fechados, eletrificação de áreas rurais e fontes de energia renováveis e de baixo custo e acesso a melhores sistemas de água e saneamento. O aumento da participação das mulheres na concepção e implementação de projetos de infra-estrutura também pode aumentar o acesso e a disponibilidade aos mesmos.
  • Garantir os direitos de propriedade e de herança das mulheres com ações que incluam reformas legais que aumentem o acesso à terra por meio de, por exemplo, titularidade conjunta ou harmonização das legislações estatutárias e consuetudinárias. Estratégias para uma melhor execução destas ações incluem o registro da propriedade ou da parcela de terra das mulheres, o apoio aos grupos que as ajudam a reivindicar títulos legais e a aperfeiçoar seu conhecimento sobre as leis.
  • Reduzir a desigualdade de gênero no emprego, acabar com as disparidades nos salários e reduzir a discriminação contra as mulheres nos mercados de trabalho por meio de programas que prevejam apoio a cuidados e políticas sociais que eliminem práticas discriminatórias de emprego e remuneração, à proteção social e ao acesso a crédito e à capacitação, especialmente no setor informal.
  • Aumentar a representação política das mulheres em organismos políticos, em níveis nacionais e locais por meio de ações afirmativas, como as cotas e reservas.
  • Combater a violência contra as mulheres por meio de uma combinação de ações em infra-estrutura, saúde, educação, proteção legal, dentre outras, incluindo provimentos legais, programas de conscientização e serviços de saúde de apoio a vítimas de violência.

O plano para se atingir uma maior igualdade de gênero é crucial para cumprir os compromissos firmados em 2000 na Cúpula do Milênio, em que líderes mundiais concordaram em tornar a luta contra a pobreza – em todas suas expressões – nos países em desenvolvimento sua prioridade. O encontro inspirou os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que são baseados no reconhecimento de que, desde a saúde ao meio-ambiente, da educação à igualdade de gênero, uma crescente lista de assuntos ligados ao desenvolvimento não pode mais ser tratada somente dentro das fronteiras de uma única nação.

O plano da Força-tarefa sobre Igualdade de Gênero é parte do Projeto do Milênio das Nações Unidas, o qual foi convocado pelo Secretário Geral da ONU em 2002 para desenvolver um plano de ação prático que habilite os países em desenvolvimento a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e a reverter o massacre da pobreza, da fome e das doenças que atinge bilhões de pessoas. Sob a forma de um órgão consultivo independente dirigido pelo Professor Jeffrey D. Sachs, o Projeto do Milênio das Nações Unidas encaminhou suas recomendações finais em Janeiro de 2005.

A Força-tarefa sobre Igualdade de Gênero é uma das 10 Forças-tarefa do Projeto do Milênio das Nações Unidas que ao todo englobam 256 especialistas de todo o mundo, incluindo membros parlamentares; pesquisadores e cientistas; formuladores de políticas; representantes da sociedade civil; agências da ONU; Banco Mundial; Fundo Monetário Internacional e o setor privado. As equipes das Forças-tarefas do Projeto do Milênio das Nações Unidas foram desafiadas a diagnosticar os principais impedimentos ao sucesso dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e a apresentar recomendações sobre como superar esses obstáculos para que as nações estejam no caminho correto para atingir as metas até 2015.

Para maiores informações:

Projeto Milênio das Nações Unidas:

Erin Trowbridge, Tel: +1 (212) 906 6821, Cel: +1 (917) 291 7974 erin.trowbridge@unmillenniumproject.org

Luis Montero, Tel: +1 (212) 906 5754, Cel: +1 (347) 267 7237, luis.montero@unmillenniumproject.org

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento:

William Orme (Nova Iorque), Tel: +1 (212) 906 5382, Cel: +1 (917) 607 1026, william.orme@undp.org

Mattias Johansson (Bruxelas), Cel: + (46-70) 316 23 44, mattias.johansson@undp.org

Cherie Hart (Bangkok), Tel: + (66-2) 288 2133, Cel: + (66-1) 918 1564, cherie.hart@undp.org

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil:

José Carlos Libânio (Brasília), Tel (61) 329-2040, jose.carlos.libanio@undp.org.br

Yolanda Pólo (Brasília), Tel: (61) 329-2014, yolanda.polo@undp.org.br  

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

( www.pnud.org.br )

 

 
  © 2005 Millennium Project