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João Pessoa, 28/04/2006
70% das cidades de menor IDH são áridas
Dos mil municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano, 715 ficam em região de alta aridez; 915 estão pior que a Namíbia

Fonte: UFCG
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ALAN INFANTE
da PrimaPagina

Entre os mil municípios com menor IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, uma adaptação do IDH aos indicadores regionais brasileiros do Brasil), 715 são afetados pelos efeitos da desertificação. Dos 1.482 localizados em regiões classificadas como semi-áridas, subúmidas secas e arredores, 915 apresentam condições de vida piores que as da Namíbia (0,627) e apenas 51 estão em situação melhor que o Vietnã (0,704). Em só cinco deles o indicador fica igual ou acima do índice do Brasil (0,766).

Os municípios nas regiões semi-áridas — as mais afetadas pelos efeitos da desertificação — são os mais defasados no que se refere ao desenvolvimento humano. Eles são quase 40% (397) dos 1.000 de menor IDH. Os que ficam em áreas subúmidas secas — que são o segundo grau na escala do índice de aridez — representam pouco menos de um quinto (190) do grupo dos piores. Os que ficam nos arredores de regiões com esses climas correspondem a quase 13% (128) dos mil com menor IDH.

A relação dos municípios com alto índice de aridez — que abrange todos os Estados nordestinos e o norte de Minas Gerais e Espírito Santo — foi elaborada pelo meteorologista José Ivaldo Brito, professor da Universidade Federal de Campina Grande. Segundo ele, não há uma forte relação entre IDH e desertificação. “Pode ser que a dificuldade de acesso à água atrapalhe o desenvolvimento de algumas áreas”, ressalta. “Mas o clima, mesmo influenciando os fluxos migratórios e a produtividade no campo, não é o único determinante”, ressalta.

O professor aponta dois municípios na Paraíba que contrariam a regra. “Caraíbas, que está numa região semi-árida, apresenta condições de vida bem melhores que Gado Bravo, que tem um índice pluviométrico maior e está numa área é sub-úmida seca”, compara. O IDH dos municípios são 0,682 e 0,527, respectivamente. “E Cabeceiras é melhor que muitos outros municípios dos arredores, apesar de ser mais árido”, completa.

Outro indicador que contraria a ligação entre desertificação e desenvolvimento humano é que os Estados com maior proporção de municípios com alto índice de aridez não são necessariamente os que têm mais cidades na lista dos mil piores IDHs. No Ceará, por exemplo, todos os municípios (184) estão em regiões semi-áridas, subúmidas secas e arredores, mas menos de 30% deles estão na relação. No Piauí, entretanto, onde 94% das cidades estão em áreas com índice de aridez elevado, 70% estão no grupo de baixo IDH.

A Bahia — que tem quase 300 cidades em regiões semi-áridas, sub-úmidas secas e arredores, o que corresponde a 70% do total — tem apenas 39% deles indicados na lista das mil de menor IDH. Já Alagoas — onde apenas 54 dos 102 municípios (53%) estão em áreas que sofrem os efeitos da desertificação — tem 77 cidades na relação de mais baixo desenvolvimento humano.

O problema da desertificação foi discutido por especialistas dos nove Estados nordestinos e de Minas Gerais e Espírito Santo no seminário “Construção do Programa de Formação à Distância para Educação Contextualizada nas Áreas Suscetíveis à Desertificação”, que ocorreu na semana passada, na Paraíba. O evento serviu para planejar um programa educacional direcionado especialmente às áreas com alto índice de aridez.

O encontro foi uma das ações que o governo brasileiro vem desenvolvendo inspirado no Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação, definido pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas. No Brasil, as regiões semi-áridas, subúmidas secas e arredores se estendem por quase 16% do território nacional (1,3 milhão de quilômetros quadrados) e abrigam mais de 31,6 milhões de pessoas (18,6% da população), segundo o Ministério do Meio Ambiente.

 
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