Hortolândia (SP), 23/09/2005 100% urbana, Hortolândia faz plano 'verde'
Cidade paulista faz evento para montar grupos que vão estudar os problemas locais e elaborar propostas de crescimento sustentável
MARÍLIA JUSTE da PrimaPagina
Segundo os dicionários, um horto é uma área de terra onde se cultivam plantas ornamentais. Nesse sentido, a cidade de Hortolândia, no interior de São Paulo, não faz jus ao nome que tem: 100% da população vive na região urbana, e o município tem poucas e pequenas áreas verdes. Para piorar a situação ambiental, a cidade cresce muito e de forma desordenada: entre 1991 e 2000, o número de habitantes aumentou mais de 70%. Organizar esse processo de ocupação é uma das missões de um grupo que vai se reunir em 29 de setembro para montar equipes de avaliação dos problemas da cidade. Essa equipe tem como meta principal formular a Agenda 21 Local de Hortolândia.
A Agenda 21 é uma iniciativa internacional criada durante a Rio-92, em prol do desenvolvimento sustentável. Além do compromisso global, cada um dos 179 países participantes prometeu criar Agendas 21 Nacionais em seus territórios. E, além disso, cada cidade ou comunidade pode também elaborar sua Agenda 21 Local, para que suas regiões se desenvolvam de maneira a conciliar expansão econômica, redução da pobreza e preservação do meio ambiente.
Em novembro do ano passado, representantes de variados setores de Hortolândia se reuniram para discutir os rumos do município. Estavam ali empresários, políticos de diversos partidos, religiosos de várias crenças e membros de organizações não-governamentais, entre outros. No mês seguinte, as reuniões passaram a ser semanais. “Esses encontros eram para discussão de como seria possível desenvolver uma Agenda 21 na nossa cidade e também para montar ações em parceria com o poder público”, conta Josânia Gondim, que preside a Comissão Executora da Agenda 21 em Hortolândia. No início deste ano, a Prefeitura aprovou a iniciativa e deu apoio ao grupo. A partir de então, começaram a ser feitas diversas palestras e capacitações sobre o assunto em toda a cidade.
A principal iniciativa foi a avaliação do bairro Parque Perón, um dos mais pobres do município, através de questionários socioeconômicos e ambientais. O objetivo principal era fazer em menor escala o que se pretende realizar em todo o município. Ao lado do presídio Ataliba Nogueira e da nascente do principal rio da cidade, Parque Perón é o local ideal para a experiência, segundo Josânia, pois centraliza um pouco de todos os problemas de Hortolândia.
Entre esses desafios, o maior é o crescimento da população. Em 1991, a cidade tinha 89.569 habitantes. Em 2000, eram 152.523, segundo os dados do Atlas de Desenvolvimento Humano. “A maioria dessas ocupações é muito rápida”, afirma Josânia. “Mal há tempo de instalar um mínimo de infra-estrutura”. De fato, Hortolândia não possui, por exemplo, tratamento de esgoto.
Em 29 de setembro, no lançamento oficial dos trabalhos pela Agenda 21 Local em Hortolândia, o grupo vai apresentar o que foi feito até agora. O evento, aberto a toda população, contará com a presença do coordenador da Agenda 21 Nacional, Ary Martini, do Ministério do Meio Ambiente, e do prefeito de Hortolândia, Ângelo Perugini.
Na ocasião, segundo Josânia, serão organizados grupos temáticos da Agenda 21 na cidade. Cada um deles cuidará da avaliação e da proposição de ações sobre 34 áreas específicas, que vão desde saúde e educação até políticas para geração de emprego e renda, sempre tendo a sustentabilidade ambiental como ponto central. |