Vinhedo (SP), 30/06/2005 Debate de plano ambiental inclui turismo
Cidade de Vinhedo, que tem o quarto maior IDH de São Paulo, inclui atividades turísticas nos debates para a elaboração da Agenda 21 local
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| Entenda o que é a Agenda 21: |
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A Agenda 21 é um compromisso assumido por 179 países durante a Rio-92 e que organiza as iniciativas de desenvolvimento sustentável.
Existem três tipos de agendas: a Agenda 21 Global é assinada por todos os países e trata das políticas mundiais de crescimento sustentável; as Agendas 21 Nacionais são feitas por cada um dos governos dos países que assinaram o acordo; já as Agendas 21 Locais são elaboradas por municípios e comunidades com as ações que julgam ser necessárias para seu desenvolvimento regional.
A Agenda 21 Brasileira foi elaborada por mais de 40 mil pessoas e está em fase de implementação. Seus princípios foram unidos ao Plano Plurianual do governo federal para o período de 2004 a 2007.
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MARÍLIA JUSTE da PrimaPagina
A cidade de Vinhedo, que tem o quarto maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Estado de São Paulo, está incluindo a exploração do turismo nos debates para a elaboração da Agenda 21 local — um plano de desenvolvimento que engloba meio ambiente, crescimento econômico e combate à pobreza (veja quadro ao lado).
Ao lado de outras cidades da região metropolitana de Campinas (SP), Vinhedo está entre as primeiras do país a começar a formular sua própria Agenda 21 — um processo apoiado pelo PNUD em nível nacional. Um encontro na terça-feira reuniu secretários, diretores da Prefeitura, organizações não-governamentais, membros do Conselho do Meio Ambiente e vereadores para discutir os rumos da Agenda na cidade. Segundo o secretário municipal do Meio Ambiente, Mário França, reuniões do tipo vão se repetir até o final do ano, quando a Agenda já deve estar formulada. No ano que vem, a intenção da prefeitura é aliar a Agenda 21 a seu plano diretor.
Um dos participantes do encontro desta semana foi o professor da USP (Universidade de São Paulo) e da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) Luís Trigo, que defendeu que a atividade turística que não leva em conta aspectos ambientais e sociais pode trazer resultados negativos para um município. Com o ambiente degradado, o turismo está fadado a se esgotar, afirma ele, que defende que os projetos na área devem estar incluídos nas Agendas 21 locais dos municípios.
Como exemplo do que defende, Trigo apresenta alguns casos de cidades turísticas que, segundo ele, não souberam aproveitar devidamente seu potencial ambiental. “O litoral sul de São Paulo, Guarapari, no Espírito Santo, Balneário Camboriú, em Santa Catarina, são todos locais que tinham um enorme potencial de exploração natural que não foi aproveitado. Agora estão aí, com o ambiente degradado e atraindo cada vez menos turistas”, afirma.
Para Vinhedo — que fica a 67 quilômetros da capital e exibe um IDH de 0,857, o 12º do Brasil —, Trigo sugere o aproveitamento da tradição rural. “Vinhedo precisa redescobrir a sua vocação. Qual é a tradição de Vinhedo? É a agricultura, são as casas de finais de semana. É uma cidade charmosa que deve aproveitar isso para atrair um turismo de alto nível, das classes média e alta”, defende. Ele critica os grandes parques de diversão da cidade, HopiHari e Wet'n'Wild. “Vinhedo não precisa desses monstros que não atraem nada para a cidade em si. As pessoas vêm, vão ao parque e vão embora, mal entram na cidade”, diz. As críticas do professor aos parques vão além. “Um parque aquático no modelo do Wet'n'Wild não funciona no Brasil, os donos não entenderam isso. Nem ele nem o HopiHari conseguem criar um público cativo, que os visita com freqüência. Tudo isso por uma série de problemas de gestão desses parques”.
As administrações do HopiHari e do Wet'n'Wild rebatem as críticas e afirmam que seus parques estão atraindo cada vez mais visitantes e dando lucro. “Temos uma média de 280 mil visitantes ao ano, a temporada do último verão foi especialmente produtiva”, afirma Sílvia Alencar, gerente de comunicação e marketing do Wet'n'Wild. O diretor-financeiro do HopiHari, Marcelo França, reconheceu que no Brasil ainda não existe uma cultura de visitação a parques, mas afirmou que o HopiHari está trabalhando para criar esse hábito. “Esse conceito pode ser comparado ao do shopping center no Brasil. Os shoppings só prosperaram quando o público brasileiro começou a se acostumar a esse conceito de consumo e a freqüentar habitualmente pontos em que o atendimento era prático e eficiente. A parquemania é mais ou menos isso”, declarou.
A prefeitura de Vinhedo também defende os parques. “O HopiHari passou por algumas dificuldades financeiras no passado, mas já está passando por uma reestruturação”, diz o diretor de Cultura, Comércio, Indústria e Turismo da prefeitura, Edilson Caldeira. No entanto, reconhece que o turismo ambiental pode ser melhor trabalhado. “Vinhedo não possui grandes atrativos naturais, mas isso não significa que o ambiente não deva ser considerado nas políticas de turismo”, diz Mário França, da secretaria do Meio Ambiente. “É claro que não vamos querer um tipo de turismo que vá afetar as áreas naturais, devemos ter e teremos essa preocupação em mente”.
Caldeira, por sua vez, explica que o foco da cidade agora é a exploração do turismo cultural. “Teremos agora uma amostra de dança, em agosto vamos ter um salão de artes. São essas as atividades com as quais estamos trabalhando agora para atrair visitantes de fora”, conta ele. A tradicional Festa da Uva da cidade também é outro ponto que a Prefeitura pretende explorar o máximo possível. Trigo concorda: “a tradição de Vinhedo é a fruticultura, a produção de uva, de vinhos, de geléias. É preciso aproveitar isso para atrair mais visitantes”. |