O HIATO MUNDIAL ENTRE OS SEXOS: MEDINDO DESIGUALDADES ENTRE HOMENS E MULHERES
No sexto ponto do seu plano de ação para erradicar a pobreza, o Relatório do Desenvolvimento Humano 1997 exorta os países a se empenharem em obter a igualdade entre os sexos, procurando fazer valer a energia e as capacidades produtivas das mulheres em todo o mundo.
O relatório diz que há muito trabalho a ser feito. Nos países em desenvolvimento, as mulheres analfabetas ultrapassam o número dos homens em 60%. As mulheres ganham apenas três quartos do que os homens ganham. Entretanto, sobre as mulheres pesa uma parcela desproporcionalmente grande dos trabalhos domésticos e das responsabilidades de criar os filhos . Elas têm também menos acesso à terra, ao crédito e às oportunidades de emprego. Nos países industrializados, a taxa de desemprego entre as mulheres é mais elevada do que entre os homens. Em nível mundial, as mulheres ainda detêm apenas 13% dos cargos eletivos e 6% dos cargos governamentais.
Para ajudar os países a acompanhar o seu progresso quanto à redução das desigualdades entre os sexos, as últimas edições do Relatório do Desenvolvimento Humano apresentaram duas medidas de disparidade quanto às oportunidades para os homens e mulheres em países de todo o mundo. As conclusões do relatório deste ano incluem as seguintes:
· O "Índice de Desenvolvimento Ajustado aos Sexos", ou IDS, que mede as realizações de 146 países quanto à expectativa de vida, nível de realização educacional e rendimento e compara a situação entre homens e mulheres. O Canadá está no topo da classificação no IDS. A Noruega está em segundo lugar e a Suécia em terceiro, seguidos da Islândia e dos Estados Unidos. Vários países em desenvolvimento estão bem posicionados no IDS: Barbados (17), Uruguai (31), Trindad e Tobago (32), Coréia do Sul (35), Costa Rica (36) e Tailândia (39). Estes países foram bem sucedidos na melhoria da capacitação humana básica tanto das mulheres quanto dos homens.
· Serra Leoa é o último colocado. Níger é o penúltimo e Burkina-Faso é o antepenúltimo. Estes países estão igualmente perto dos últimos lugares no desenvolvimento humano global.
· Nenhuma sociedade trata as mulheres com igualdade em relação aos homens. Em todos os países, os valores do IDS são inferiores aos valores do "Índice de Desenvolvimento Humano", ou IDH, que mede o bem-estar das pessoas.
· A desigualdade entre os sexos acompanha freqüentemente a "pobreza humana", que reflete escolhas e oportunidades limitadas. Serra Leoa, Níger e Burkina-Faso, por exemplo, têm as piores classificações no IDS. Estes países registam também a pobreza humana mais grave, medida pelo "Índice de Pobreza Humana", ou IPH, o novo indicador de privação humana destacado no relatório deste ano.
· A "Medida de Participação ajustada aos Sexos", ou MPS, observa o acesso das mulheres a oportunidades profissionais, econômicas e políticas. Entre 94 países classificados pela MPS, Noruega, Suécia, Dinamarca e Finlândia detêm do primeiro ao quarto lugares respectivamente.
· Alguns países em desenvolvimento ultrapassam o desempenho de muitos países industrializados mais ricos quanto à igualdade entre os sexos nas atividades política, econômica e profissional. Por exemplo, Barbados ultrapassa a Bélgica e a Itália.
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