Relatório do Desenvolvimento Humano 1997

 

PARA OBTER RESULTADOS, INTEGRAR A REDUÇÃO DA POBREZA NAS POLÍTICAS ECONÔMICAS

 

A guerra entre os otimistas e os pessimistas do crescimento é contraproducente.

 

Os países que atingirão um crescimento econômico firme e eqüitativo no século XXI são aqueles que fazem da erradicação da pobreza um objetivo central das suas políticas nacionais de desenvolvimento, dizem os autores do Relatório do Desenvolvimento Humano 1997.

O relatório deste ano, o oitavo de uma série produzida para o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), centra-se na pobreza e inclui um plano de ação ponto a ponto para erradicá-la. O relatório foi preparado por acadêmicos de renome e pela equipe do Relatório de Desenvolvimento Humano, sob a liderança de Richard Jolly, Consultor Especial do Administrador do PNUD e coordenador principal do relatório.

"As experiências positivas e negativas ao longo dos últimos 50 anos são instrutivas", diz Jolly. "As estratégias para erradicar a pobreza não apenas são a chave para promover o desenvolvimento humano, mas têm-se mostrado essenciais às políticas de crescimento econômico".

Embora o crescimento econômico possa ser um meio poderoso de erradicar a pobreza, não é suficiente. A qualidade e a estrutura do crescimento devem ser suficientemente "em favor dos pobres".

A pobreza é uma conseqüência não apenas de reveses e de capacidades limitadas dos indivíduos, mas também das estruturas e processos que determinam a distribuição de renda, dizem os autores do relatório.

Promover o Crescimento "em Favor dos Pobres"

O Relatório do Desenvolvimento Humano 1997 sustenta que o crescimento econômico contribui mais para a erradicação da pobreza quando expande o emprego, a produtividade e os salários dos pobres, e quando os recursos públicos são canalizados para a expansão do desenvolvimento humano.

  • O crescimento econômico resultou na redução da pobreza em países como a Indonésia, Malásia e Coréia do Sul desde os anos 70. Nestes países, as estratégias de crescimento aumentaram as oportunidades econômicas para os pobres e incluíram uma distribuição relativamente eqüitativa da terra e do capital financeiro e físico. Os recursos gerados por este crescimento econômico foram fortemente canalizados para o desenvolvimento humano, especialmente para melhorar a saúde, educação e níveis de qualificação das pessoas. Em contraste, o crescimento no Brasil, que enfatizou o desenvolvimento industrial nos anos 50 e princípios de 60, agravou o problema da distribuição de renda.
  • Os elementos-chave de uma estratégia de crescimento "em favor dos pobres" dependem das circunstâncias sociais e econômicas específicas de cada país. Contudo, em todos os países, a constituição dos ativos das pessoas e o reforço de sua parcela de poder, de forma a permitir-lhes combater a pobreza, deveriam ser a peça central da erradicação da pobreza, de acordo com o relatório. Os governos têm a responsabilidade de dar atenção às desigualdades estruturais na distribuição de ativos - especialmente terra, crédito, habitação e serviços sociais. As reformas institucionais e políticas para promover melhor acesso e garantia de direitos sobre os ativos são particularmente importantes para as mulheres. Oportunidades desiguais na educação, emprego e posse de bens significam que as mulheres têm menos oportunidades e enfrentam maiores dificuldades para libertar-se a si e aos seus filhos da armadilha da pobreza.

    Outras ações necessárias em muitos dos países em desenvolvimento incluem:

     

    A Controvérsia do Crescimento: "Contraproducente".

     

    O Relatório de Desenvolvimento Humano 1997 reconhece a controvérsia sobre o papel do crescimento econômico na batalha contra a pobreza. Os "otimistas" do crescimento salientam que a pobreza é normalmente reduzida mais intensamente nos países de crescimento mais rápido. Os "pessimistas" do crescimento argumentam que o crescimento econômico descontrolado prejudica os pobres pela criação de um mercado de emprego volátil, desestabilizando os preços e poluindo o meio ambiente.

    Tanto os otimistas quanto os pessimistas têm razão. O crescimento econômico contribui para a redução da pobreza, ainda que apenas para metade dela. Mas a falta de crescimento sustentado torna quase impossível reduzir a pobreza por insuficiência de renda. Inibe igualmente a redução de vários aspectos da pobreza humana como o analfabetismo ou a mortalidade infantil.

    "A guerra entre otimistas e pessimistas do crescimento é contraproducente", diz Sakiko Fukuda-Parr, Diretora do Gabinete do Relatório de Desenvolvimento Humano. "Ela desvia a atenção da questão muito mais importante: como acelerar e forjar um padrão de crescimento que promova a redução da pobreza".

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