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Diadema, 28/07/2008
Agressores se juntam para não agredir mais
Projeto em Diadema coloca em uma mesma roda homens acusados de violência contra mulher, para que discutam e mudem atitudes

Crédito: Prefeitura de Diadema/Divulgação
Casa Beth Lobo
A Casa Beth Lobo existe desde 1991 e hoje integra uma série de projetos, que incluem, além do grupo de discussão de maridos agressores, oficina de teatro, cursos de artesanato e aulas de ioga. Além das atividades ocupacionais, a casa oferece apoio jurídico, psicológico e social para mulheres vítimas de violência doméstica. Em média, a casa recebe 40 novos casos todos os meses.
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Reunir maridos agressores em uma mesma roda para discutir suas idéias e atitudes pode ser o caminho de saída de um problema que afeta muitas famílias em Diadema, na Grande São Paulo. É nisso que aposta a Casa Beth Lobo, projeto social que está implantando no município um tipo de "terapia coletiva" que coloca, em uma mesma sala, homens com histórico de violência doméstica para debater o assunto.

O objetivo é, por meio das conversas direcionadas, eles se dêem conta de que bater nas mulheres (ou mesmo nos filhos) é um comportamento socialmente reprovado. "Fazemos uma roda e discutimos assuntos corriqueiros, como foi a semana deles, por exemplo", conta o psicólogo e sociólogo Flávio Urra, responsável por conduzir as conversas no chamado Projeto Masculinidade, lançado no final de 2006. "Aos poucos, vamos dirigindo a discussão para as questões de direitos humanos e de rompimento da violência."

Esse é uma dos três trabalhos (leia notícias ao lado) que colocaram a Casa Beth Lobo — Centro de Referência da Mulher em Situação de Violência Doméstica entre os 20 projetos vencedores do Prêmio ODM Brasil 2007, uma iniciativa do governo federal e do PNUD que destacou práticas de prefeituras e organizações sociais que ajudam o país a avançar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

Os encontros são semanais — atualmente, ocorrem nas tardes de quarta-feira. Os participantes chegam ao projeto por meio de indicação de mulheres que freqüentam a casa, de pessoas da comunidade ou recomendação de órgãos públicos, como tribunais ou unidades básicas de saúde. A iniciativa enfrenta, contudo, uma grande resistência de seu público alvo — os grupos não tiveram mais de sete participantes e muitos homens acabam abandonando-a no meio do percurso.

"Geralmente, quem freqüenta pensa que vai ter algum ganho no grupo — dificilmente é uma coisa espontânea", afirma Urra. "Na cabeça dele, ele tem o privilégio de bater na companheira, o poder de sair com outras mulheres, chegar à hora que quer em casa. Ele tem uma série de poderes que nós questionamos. Falamos de distribuição de tarefas em casa, cuidar de filho. Não é fácil convencê-los", acrescenta.

Apesar das dificuldades, Urra, que já participou de experiência semelhante em outra cidade do ABC, Santo André, avalia que há efeitos positivos no longo prazo. "Com o tempo, esse tipo de trabalho tem resultado. Em um ano, um ano e meio, os efeitos começam a aparecer", afirma. "Após quatro meses em que o homem freqüenta o grupo, começa uma mudança no discurso. O homem tem aquela coisa: ele quer ser aceito, respeitado no grupo, que a posição dele seja ouvida. No começo o sujeito tinha uma posição radical em questões como pena de morte, por exemplo. Depois de um tempo, ele começa a tocar em questões que envolvem religião, falar sobre Bíblia e ir por caminhos mais humanos."

Urra defende que projetos como este de Diadema virem política pública. Ele cita a Lei Maria da Penha, que estabelece penas mais pesadas para casos de violência doméstica e prevê, em seu artigo 35, "centros de educação e de reabilitação para os agressores". "O que nós fazem aqui é uma parceria, um trabalho voluntário. O ideal seria que se criasse uma política pública voltada ao trabalho com os agressores", completa.

 
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