Mateiros (TO), 29/01/2007 Rally dos Sertões leva crédito à área rural
Corrida anual no interior do país vai financiar atividades produtivas em municípios brasileiros de baixo Índice de Desenvolvimento Humano
TALITA BEDINELLI da PrimaPagina
Para muitas pessoas, o Rally dos Sertões é considerado apenas uma competição, em que vence aquele que for mais rápido e tiver mais habilidade para lidar com coordenadas geográficas. Para outras, é uma aventura que possibilita aos participantes conhecerem regiões distantes dos grandes centros urbanos brasileiros. Mas o que poucos sabem é que a prova também planeja ajudar moradores de municípios com baixo IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, uma adaptação do IDH aos indicadores regionais) a iniciarem seus próprios negócios.
Por meio do Instituto Brasil Solidário, que desenvolve os projetos sociais do Rally dos Sertões, dois empreendedores da pequena Mateiros, município de pouco mais de 1,9 mil habitantes no Tocantins, receberão um empréstimo de até R$ 5 mil para iniciar uma pousada e produzir artesanato para vender no Brasil e no exterior. Eles serão os primeiros contemplados por um projeto que será desenvolvido inicialmente em caráter experimental e que poderá ser ampliado para outros 30 empreendimentos da mesma cidade até o final deste ano.
“[Mateiros] é uma região do Cerrado, que tem um bom atrativo natural. As pessoas vão lá, conhecem a região, visitam, tomam banho de rio e de cachoeira e vão embora. Não há um momento para que o turista conheça a comunidade”, conta o presidente do Instituto Brasil Solidário, Luis Salvatore. De acordo com ele, a iniciativa surgiu como continuidade de um outro projeto, desenvolvido desde 1998 pela entidade, chamado Ação Social dos Sertões, que percorreu comunidades do Goiás, Tocantins, Piauí, Bahia e Maranhão — percurso dos 3.878 quilômetros da prova — para levar bibliotecas, educação preventiva na área de saúde, consultas oftalmológicas e odontológicas e educação ambiental a mais de 150 escolas públicas.
Por meio do contato com os moradores das regiões beneficiadas pela ação, os organizadores puderam selecionar os beneficiários do microcrédito. “O objetivo é pegar pessoas com quem já temos alguma relação e fazer projetos para que elas montem seus próprios negócios. São pessoas que já desenvolvem alguma atividade econômica ou têm o perfil para desenvolver, mas não fazem por falta de verba. O financiamento será em pequenas vilas, para projetos voltados à infra-estrutura de regiões que tenham recebido cada vez mais turistas”, ressalta o presidente.
A verba para financiar as atividades será do próprio instituto. Cada empréstimo deverá ser pago em até um ano, contado a partir do primeiro dia de funcionamento do empreendimento. Novas iniciativas serão financiadas com o dinheiro do pagamento dos empréstimos. “Vamos fazer o financiamento se a gente acreditar que aquilo vai dar certo. A idéia é que, mais para frente, a gente tenha um parceiro grande, um banco talvez”, diz. |