Brasília, 18/07/2006 ONU estuda fazer parceria com escoteiros
Programa de voluntariado da organização avalia que o movimento ajudaria a multiplicar as ações em prol dos Objetivos do Milênio
ALAN INFANTE da PrimaPagina
Aproveitar a estrutura que reúne 60 mil escoteiros em todo o Brasil para impulsionar novos projetos voltados aos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. É o que planeja o UNV (Programa de Voluntariado das Nações Unidas), que participa do 3º Jamboree Nacional, em Brasília, o principal encontro brasileiro do movimento escoteiro. No evento, dois voluntários da ONU apresentaram aos chamados escoteiros staff — que têm entre 18 e 24 anos — uma palestra sobre como organizar atividades voltadas ao cumprimento das metas. A idéia é que os escoteiros possam identificar problemas e soluções nas comunidades.
O estreitamento entre as ações voluntárias voltadas aos Objetivos do Milênio e o trabalho dos escoteiros pode dar origem a “uma parceria mais institucionalizada com o movimento escoteiro”, revela Diana Costa, assistente do UNV no Brasil. “Uma das intenções é transformar o escoteiro de hoje no voluntário de amanhã”, conta. Segundo ela, que no evento ministrou uma palestra sobre voluntariado na ONU, a participação do Sistema ONU no Jamboree já foi um passo importante para conquistar o apoio dos jovens.
Dois voluntários do UNV participam das atividades do encontro de escoteiros em Brasília. Um deles é o goiano Cláudio Stacheira, de Anápolis, que falou sobre sua experiência e passou orientações sobre como os jovens podem se organizar para desenvolver ações voltadas ao cumprimento das metas nas comunidades. “Os Objetivos do Milênio são relativamente uma coisa nova para eles, mas nós mostramos que o trabalho que eles fazem já tem muito a ver com as metas”, destaca.
A maior vantagem em estabelecer uma parceria com os escoteiros é que eles têm uma “estrutura de grupos ligados em uma rede muito bem organizada”, destaca Stacheira. Isso permite que as estratégias de ação sejam disseminadas rapidamente. A voluntária italiana Chiara Guidetti, que atua na organização não-governamental Natal Voluntários, no Rio Grande do Norte, concorda: “Eles contribuirão para multiplicar as ações pró-Objetivos do Milênio”.
Chiara, que já foi escoteira na Itália, considera os princípios do voluntário das Nações Unidas muito parecidos com os dos escoteiros. “Ambos atuam no mesmo escopo, que é prestar serviço à comunidade”, ressalta. No Jamborre, ela ,e Stacheira buscaram mostrar aos jovens como eles podem se organizar para desenvolver projetos ligados aos Objetivos do Milênio. “É simples, basta que eles se reúnem em sua comunidade e debatam quais são os principais problemas. A partir daí, todos devem escolher um problema e procurar uma solução para ele, mas envolvendo toda a comunidade — universidades, entidades, empresas e o próprio poder público”, exemplifica. |