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São Paulo, 17/04/2006
Jovens fazem mapa social de região pobre
No M'Boi Mirim, uma das áreas mais carentes de São Paulo, projeto mapeia bairros identificando indicadores sociais e serviços públicos

Crédito: Reprodução
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ALAN INFANTE
da PrimaPagina

Trinta jovens paulistanos moradores da região administrada pela subprefeitura de M’Boi Mirim — que abrange os distritos Jardim São Luís e Jardim Ângela —, uma das áreas mais pobres e violentas da cidade de São Paulo, fizeram o mapeamento digital do lugar onde vivem. Com base em bancos de dados públicos, eles dividiram o território em pequenos setores, levantaram os indicadores sociais para cada um deles (como número de crianças de 0 a 6 anos residentes, total de chefes de família sem renda, ou a relação de empresas com sede no local) e apontaram no mapa onde estavam as escolas, creches, centros esportivos, hospitais, postos de saúde, organizações não-governamentais (ONGs) e outras organizações da sociedade civil sem fins lucrativos (Oscips).

O trabalho, promovido pelo Instituto Lidas em parceria com a ONG Casa dos Meninos, começou em 2001, com a divisão da cidade de São Paulo em 270 Unidades de Planejamento Participativo (UPPs) — o M’ Boi Mirim, por exemplo, é dividido em sete. “O objetivo é fornecer informações para que a comunidade possa agir”, resume o coordenador do projeto, Cleodon Silva. “A idéia é que cada unidade tenha 30 jovens, com idade entre 16 e 24 anos, capacitados e desenvolvendo essas atividades”, afirma.

Ele conta que, para fazer o mapeamento piloto no norte do Jardim São Luís, os jovens fizeram um curso de seis meses em geoprocessamento, manipulação de banco de dados, fotografia digital, Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho, e cooperativismo.

Os jovens que participam do projeto piloto estão pulverizados no norte do Jardim São Luís, de acordo com Silva. “Eles estão espalhados de forma que conseguem cobrir todo o território sem se deslocar mais que 700 metros de suas residências. Isso ajuda a evitar gastos com transporte, por exemplo”, destaca. Essa distribuição ainda facilita o detalhamento dos dados, já que cada Unidade de Planejamento Participativo é dividida em subunidades.

Depois do curso, os jovens começaram a buscar mapas e bases de dados e a localizar, na cartografia, onde estavam localizadas escolas, unidades de saúde etc. Com isso, é possível saber, por exemplo, quantas crianças em idade escolar vivem em cada subunidade (sub-UPP) e onde estão as escolas da região. Além disso, é possível identificar aspectos complementares que podem indicar a necessidade de políticas públicas específicas, como reforço escolar. “Aqui na sub-UPP 25404, onde está a Casa dos Meninos, por exemplo, temos 545 chefes de família analfabetos e outros 2.275 que não chegaram a completar a quarta série. Então, se cada chefe de família tiver dois filhos, são mais de 5 mil crianças com um acompanhamento escolar debilitado”, destaca Silva.

O mapeamento ainda permite esquadrinhar a situação econômica da região, já que os mapas trazem a relação das empresas com sede em cada subunidade, com dados como endereço, CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) e número de empregados. Além disso, os jovens fizeram uma pesquisa na região para identificar quais os principais anunciantes.

Apesar do trabalho complexo e com requinte tecnológico, o projeto corre o risco de não engrenar, segundo Silva. Ele conta que, quando a iniciativa começou, em 2001, os participantes recebiam uma bolsa-auxílio de R$ 65 do programa Agente Jovem, mas que agora estão “vivendo de bicos”. “Esses jovens que começaram com 16, 17 anos hoje estão com 20, 21, 22 anos, recebendo pressão em casa para trabalhar. Além disso, a idade limite para participar é 24 anos. Então, se não recebermos apoio este ano, podemos perder esse núcleo inicial antes de espalhar o projeto para outras UPPs. Como estão preparados para mexer com geografamento e banco de dados, eles não vão ter dificuldade em conseguir uma colocação mercado de trabalho. Então, sem apoio, fica difícil de segurá-los aqui”, afirma.

O Instituto Lidas participou do workshop “Sistemas de Informação Aplicados às Políticas Públicas Locais: a Perspectiva das Políticas Setoriais", realizado pelo PNUD em parceria com o CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), em 27 de março.

 
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