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Brasília, 29/05/2009
Ajuda do G-20 pode gerar crise de dívida
Sem mudanças, pacote de US$ 1,1 tri prometido pelo grupo pode criar onda de endividamento impagável dos países emergentes, diz estudo

Crédito: The London Summit 2009
Leia o artigo na íntegra
A crise da dívida de 2015
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Impacto da crise em pobres é ainda maior
TIAGO MALI
da PrimaPagina

A ajuda recorde de US$ 1,1 trilhão prometida no mais recente encontro do G-20 , em abril, ajuda os países em desenvolvimento a obter recursos em meio à crise econômica, mas pode se transformar numa bomba-relógio a explodir em forma de crise de endividamento externo. O alerta foi feito pelo economista Paul Ladd, da Agência de Políticas para o Desenvolvimento do PNUD, em artigo publicado pelo Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo , órgão do PNUD em parceria com o governo brasileiro.

Os recursos são úteis para países pobres com problemas em conseguir captar dinheiro, mas virão muito mais em forma de empréstimos do que de doação. Isso pode gerar problemas semelhantes aos que foram enfrentados pelos mundo em desenvolvimento entre o final da década de 80 e o começo da década de 90, argumenta o especialista no artigo A crise da dívida de 2015 .

Se não acompanhada de medidas estruturais, a nova ajuda financeira, diz o texto, pode trazer de volta o fantasma do endividamento externo daquela época, quando um cenário internacional ruim e a irresponsabilidade de governos e credores levaram cidadãos de países em desenvolvimento a enfrentar o fardo de altos níveis de dívida. A manutenção do sistema atual, destaca o autor, pode fazer com que em 2015 o mundo, em vez de comemorar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (série de metas que os países da ONU se comprometeram a atingir até essa data), tenha de se preocupar com uma nova crise internacional de endividamento.

Condições desfavoráveis

A última previsão do FMI (Fundo Monetário Internacional) indica que o PIB (Produto Interno Bruto) dos países em desenvolvimento deve crescer apenas 1,6% neste ano (contra salto de 8,3% em 2007). Essa desaceleração traz impactos nos investimentos dos governos, na geração de empregos e, consequentemente, no desempenho para atingir os Objetivos do Milênio. Para piorar, a recessão das nações mais ricas (cujo PIB cairá 2,6%, prevê o FMI) deve causar desemprego e diminuir as remessas de dólares enviadas pelos imigrantes aos países de origem. Além disso, as exportações de commodities também caem com a recessão, influenciadas pela escassez de crédito direcionado ao investimento produtivo.

Com as vias normais de financiamento secando, afirma Ladd, as nações pobres poderão sentir-se tentadas a usar o dinheiro dos novos empréstimos do FMI e de bancos de desenvolvimento para trazer melhorias aos seus eleitorados. “Isso pode ser uma necessidade para alguns, mesmo com condições ruins de pagamento”, admite.

O impacto do alto endividamento externo, segundo o autor, pode ser ainda pior do que o enfrentado durante os anos 90. “Na época, a comunidade internacional vagarosamente reconheceu que países pobres foram pegos em uma armadilha e, enfrentando pressões da sociedade, fez com que credores lançassem mão de uma série de esquemas para aliviar as dívidas. (...) Uma segunda rodada de soluções baseadas na complacência de credores vai enfrentar falta de credibilidade.”

Para que isso não aconteça, o economista defende um mecanismo internacional para reestruturação das dívidas, o que incluiria provisões para moratórias temporárias e formas mais justas de lidar com obrigações impagáveis. Esse novo sistema de arbitragem, segundo ele, deveria ter o respaldo do FMI e do Banco Mundial e se pautar pela transparência e eficiência, tanto com credores, como com países endividados e suas populações.

 
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