Havana, 19/02/2009 Rede do PNUD poderá apoiar Linux cubano
Portal que será lançado pelo Brasil terá comunidades virtuais em três línguas para debate de softwares livres e pode incluir sistema cubano
DAYANNE SOUSA da PrimaPagina
A recém-lançada versão cubana do sistema operacional de código aberto Linux, chamada Nova, poderá ganhar ajuda para ser distribuída no Brasil, com apoio da RCSLA (Rede Colaborativa de software Livre e Aberto), coordenada pelo PNUD brasileiro. A rede estuda um acordo, que espera fechar ainda neste ano, para disponibilizar o sistema em um portal que será criado pelo Brasil para compartilhar softwares por toda a América latina. O site que terá comunidades virtuais, chats e discussões também em português. Também poderá fazer parte da troca de experiência um apoio à elaboração de softwares públicos (voltados para administração pública) em Cuba.
A equipe da RCSLA foi a Havana em fevereiro participar da IV Oficina de software Livre, onde estabeleceu acordo com a Universidad de las Ciencias Informáticas (UCI), entidade que lançou, no mesmo evento, o Nova. Durante o congresso, a Rede apresentou o projeto do Portal do software Público Internacional, site de software livre que deve ser lançado em junho com comunidades de discussão em espanhol, português em inglês. Por enquanto, programas de computador em áreas como saúde e educação, feitos pelo governo brasileiro, estarão no site. Se fechado o acordo, o sistema cubano, Nova, será incluído.
A participação da universidade cubana na parceria que forma a RCSLA pode se também chegar de outra forma, de acordo com Fausto Alvim, integrante do PNUD na Rede. “Uma maneira de introduzi-los no processo seria, antes, eles participarem do trabalho com os softwares públicos brasileiros”, afirma. Além do PNUD, integram a Rede o Ministério do Planejamento e a Universidade Federal de Minas Gerais.
O fato de que irá haver comunidades de discussão em diversas línguas no site a ser lançado ajuda a aproximação. “Há uma demanda para os softwares livres, mas nas comunidades é possível discutir as soluções, proporcionar a replicação das soluções em outro país”, explica Corinto Meffe, coordenador do projeto no Ministério do Planejamento. Em 2007, o Brasil lançou o Portal do software Público Brasileiro, com comunidades em português, mas Meffe considera que o idioma se tornou uma barreira para pessoas de outros países que se interessavam em adaptar os softwares às suas necessidades. No portal, dos 35 mil usuários, 33 mil são brasileiros.
softwares do Brasil
No encontro em Havana, que terminou neste dia 13, a RCSLA abriu uma enquete para que as pessoas dos outros 41 países da América Latina elejam quais os softwares brasileiros de maior interesse. Os dois ou três (ainda a ser decidido) mais votados da lista de vinte programas serão adaptados para uso internacional até o final de abril.
Meffe diz que o processo facilita o acesso aos softwares brasileiros para instituições públicas de países América Latina. “Os softwares tem uma grande demanda do setor público e servem para solucionar problemas que são muito semelhantes em vários países”, acrescenta.
Para Alvim, a divulgação de softwares públicos e livres é uma forma de contribuir para o desenvolvimento. Ele diz que o Nova se tornou um projeto de destaque em Cuba, pois o acesso a sistemas comerciais é dificultado pelo embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. “O software livre é uma forma de favorecer a produção econômica de comunidades e pequenas empresas”, conclui.
Dentre os softwares da enquete, já disponíveis em português no Portal do software Público Brasileiro, está um sistema capaz de integrar computadores de uma entidade, um que pode criar programas interativos para TV Digital e outro que administra cadastros de alunos de toda a rede escolar.
Até julho, a RCSL deve lançar as novas versões dos softwares e iniciar um novo processo de enquete, dessa vez com programas que outros países da América Latina estejam dispostos a tornar públicos.
|