Carros elétricos que ONU recebeu da Itaipu fazem parte de programa científico-tecnológico para aprimoramento dos veículos

Monitoramento acompanha energia fornecida ao carro, quantidade de CO2 economizada, quilômetros percorridos e recursos financeiros poupados.

25 Março 2015

do PNUD

Quando o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a ONU Mulheres receberam de Itaipu as chaves de dois veículos movidos a eletricidade, iniciou-se uma parceria que favorecerá ainda mais a diversificação da matriz energética brasileira assim como a pesquisa e a inovação. Afinal, não se trata apenas de mais dois carros elétricos a percorrer as ruas de Brasília, capital do país. 

Trata-se de permitir conhecimento mais amplo e profundo de como esses carros funcionam e o que eles representam em termos de sustentabilidade e economia financeira, pois os automóveis circularão sob monitoramento constante, e os dados coletados estarão sob análise científica, no contexto do programa Mobilidade Inteligente (Mobi-i), da hidrelétrica Itaipu.

A Itaipu Binacional, uma das maiores geradoras de energia elétrica do mundo, em parceria com o Centro de Engenharia e Inovação das Indústrias da Mobilidade (CEiiA), de Portugal, desenvolveram o Mob-i.  

Com carros elétricos que podem perfeitamente substituir os carros convencionais, o programa pretende mudar o modo como as pessoas trafegam pelas grandes cidades: substituindo, gradualmente, um modelo poluidor por outro mais limpo, prático e barato.

De acordo com Tomé Costa, engenheiro elétrico da CeiiA, um dos principais objetivos do Mob-i é sensiblizar a população para as políticas sustentáveis e para a inteligência no tráfego de veículos. “Um carro convencional é poluente. Por que não utilizar um carro que polui muito menos?”, indaga.

Lançado em junho de 2014, o Mob-i já possui projetos piloto na Prefeitura de Curitiba (Eco-Elétrico Curitiba), na própria Itaipu e em Brasília (Ecomóvel Brasília, nos Correios). A nova etapa do projeto consiste no Mob-i- ONU, os veículos elétricos do modelo Renault Zoe, entregues ao PNUD e à ONU Mulheres.
 
Além dos carros, o projeto Mob-i ainda conta com postos para abastecimento elétrico, chamados eletropostos, e com a plataforma Mob.Me, aplicativo que fornece aos usuários importantes indicadores, como o dinheiro poupado em abastecimento, o CO2 que deixou de ser emitido na atmosfera e o número de quilômetros rodados. 

Costa esclarece que a plataforma não exige cadastro. “Qualquer curioso ou interessado que queira baixar o aplicativo sabe neste momento que já foram poupados 3 mil reais desde que foi iniciado o projeto só com a utilização dos veículos elétricos”, assegura.

O engenheiro resume os principais indicadores que o Mob-i pode monitorar: a energia fornecida (do eletroposto ao veículo), a quantidade de gás carbônico que deixou de ser liberada na atmosfera, os quilômetros percorridos, os recursos financeiros poupados (diferença entre o custo de produção da energia fóssil e o da elétrica) e o número de usuários e eletropostos, entre outras informações relevantes para a pesquisa.

Segundo Costa, a plataforma pode se adaptar ao usuário. “Você consegue personalizar todos esses indicadores: por empresa, por usuário, por dia, por mês, por montadora, por modelo de carro”, diz. Nesses casos, entretanto, o aplicativo pede que o usuário faça o cadastro para garantir o sigilo das informações.

Ainda não há previsão para que os veículos do Mob-i cheguem ao público, mas Costa afirma que essa é uma das metas do programa e que será um processo natural, de demanda e procura.  Sobre a plataforma Mob.Me, o engenheiro eletricista diz que “os serviços serão criados pelos clientes, usando a nossa ferramenta, tendo ideias para fazer um novo sistema de compartilhamento. Vamos passar conhecimento, vamos integrar a visão à necessidade, em uma plataforma e em uma solução inteligente”, conclui.

A cerimônia de entrega dos carros elétricos na sede da ONU aconteceu durante a tarde de hoje, dia 25 de março, às 14 horas, e contou com a presença do representante do PNUD e coordenador do Sistema ONUBrasil, Jorge Chediek, e da diretora financeira de Itaipu e coordenadora do projeto de mobilidade inteligente, Margaret Groff.

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