Leite de cabra transforma vidas no sertão de Alagoas

Cooperativa de mulheres utiliza a matéria-prima na fabricação de sabonetes para geração de renda

Mulheres da cooperativa Natucapri


No sertão de Alagoas, a produção artesanal de sabonetes à base de leite de cabra ajuda a empoderar as mulheres da comunidade de Maravilha. Foto: Jacob Said/PNUD Brasil.

05 Julho 2012

do PNUD

Aos 18 anos, Ádria Lima ganhou para o currículo uma experiência de peso: o cargo de presidenta. Exemplo de liderança na comunidade, ela hoje está à frente da Natucapri, uma cooperativa no sertão de Alagoas que produz sabonetes artesanais à base de leite de cabra. Trabalhando durante o dia e estudando à noite, Ádria, que concluiu o ensino médio em 2011, sonha agora com a universidade.

Mas essa trajetória de jovem mulher empoderada está longe da realidade da maioria das habitantes do pequeno município de Maravilha, a 230 km – 4 horas de viagem de carro – da capital Maceió. Com índices de analfabetismo que chegam a quase um terço da população adulta, Maravilha tem um dos IDHs mais baixos do Brasil. A situação se agrava ainda mais na área rural, onde 40% dos moradores estão em condição de extrema pobreza.
 
Em busca de oportunidades, um grupo de mulheres se uniu em 2006 para fundar o empreendimento que daria origem à cooperativa. A ideia era produzir sabonetes artesanais usando como principal matéria-prima o leite de cabra, em abundância na região, em combinação com ervas e extratos locais. Além das dificuldades em gerir o próprio negócio, as mulheres de Maravilha enfrentavam a barreira social de uma comunidade tradicionalmente rural e patriarcal. “Passamos por muitos preconceitos. Em casa, nas ruas; a sociedade não aceitava nosso trabalho”, comenta Angelina dos Santos, uma das fundadoras do grupo.

Sabonete de aroeira a base de leite de cabra

aroeira, Babosa, Juá, Maracujá, AVEIA E MEL, Erva-doce e Camomila são algumas das fragrâncias dos sabonetes. Foto: Jacob Said/PNUD Brasil.

Com o apoio do PNUD, uma articulação entre a Agência de Fomento de Alagoas e o Sebrae permitiu a capacitação técnica do grupo. Além do processo de formulação e fabricação dos sabonetes, foram realizados cursos em áreas complementares como cooperativismo, gestão de negócios, elaboração de cronogramas de trabalho e plano de vendas. 
 
As viagens por todo o Brasil para vender os sabonetes em feiras de artesanato e de economia solidária tornaram-se constantes para muitas mulheres que, até então, mal conheciam os arredores de Maravilha. Aos poucos, a comunidade passou a compreender e a respeitar o trabalho delas na cooperativa, que não parou de crescer. “O importante é conquistar a autonomia. É ter uma profissão; aprender a fazer a gestão de um negócio e ter uma renda”, diz Ádria.

No final de 2011, mais uma cooperada concluiu o ensino fundamental, enquanto outras duas já cursavam a faculdade. Embora o retorno financeiro ainda não seja grande nem regular, os cerca de R$ 100 mensais têm um significado importante na autoestima dessas mulheres, que superaram a timidez e a insegurança e ganharam um novo mundo com a cooperativa. “O que nós enxergamos é a perspectiva de um futuro melhor, de mais qualidade de vida, através de um trabalho que não tem patrão nem empregado: todo mundo é dono, todos são ouvidos e lutam por um objetivo comum”, diz Ádria.

O desafio de manter a Natucapri como um empreendimento de responsabilidade socioambiental e, ao mesmo tempo, sustentável financeiramente, faz parte da nova rotina dessas mulheres empreendedoras no sertão nordestino. “O que me dá coragem para continuar é olhar para essas mulheres, que têm uma força imensa. Cuidam da casa, filhos e maridos, são agricultoras e ainda arrumam tempo para produzir o sabonete e ir em busca de algo mais”, diz a jovem Ádria, confiante num futuro promissor que ela e suas colegas já começaram a construir.

Mulheres - Desenvolvimento Sustentável - Rio+20 - Socioambiental
Projeto Relacionado
BRA/09/003

 

TÍTULO

Fortalecimento Institucional em Apoio ao Desenvolvimento Local no Estado de Alagoas

 

PROJETO

BRA/09/003

 

ENTIDADE EXECUTORA

Secretaria de Estado do Planejamento e Orçamento de Alagoas (SEPLAN)

 

ENDEREÇO DA COORDENAÇÃO

Rua Cincinato Pinto 503 - Centro
CEP: 57020- 050
Maceió - AL


 

ÁREA GEOGRÁFICA

Alagoas

 

UF

AL

 

OBJETIVO

O projeto tem por objetivo reforçar as capacidades da Agência de Desenvolvimento de Alagoas (AFAL) como articuladora de planos e programas de inclusão produtiva em Alagoas. Esta iniciativa responde à necessidade de suprir as limitações estruturais que afetam a execução dos planos de desenvolvimento em Alagoas, bem como a apoiar iniciativas nacionais nesse estado e as oportunidades decorrentes dessas. O programa reforçará as capacidades da AFAL, assim como dos principais interessados, a fim de facilitar a implementação de planos, programas e projetos de desenvolvimento estratégico. Além disso, procurará facilitar o desenvolvimento de parcerias estratégicas destinadas a assegurar a sustentabilidade.

 

RESULTADO ESPERADO

1) Reforçar as capacidades da SEPLAN para o estabelecimento e gestão operacional da AFAL e o início operacional de suas atividades.

2) Reforçar as capacidades dos funcionários da AFAL com o propósito de equipá-los com conhecimento, experiência e ferramentas necessários para conceber, gerir e acompanhar programas, bem como estabelecer parcerias estratégicas.

3) O reforço das capacidades da AFAL para o planejamento estratégico e de desenvolvimento, incluindo acompanhamento e avaliação baseadas no resultado.


 

RESULTADO OBTIDO

NÃO INFORMADO

 

DATA DE INÍCIO

01/10/2008

 

DATA DE TÉRMINO

NÃO INFORMADO

 

DATA DE CONCLUSÃO

31/03/2012

 

ORÇAMENTO

Total: US$ 500.000,00
Implementado até 2010: 381.004,02


 

UNIDADE

Políticas Públicas Sociais
Responsável no PNUD: Anika Gärtner


 

LINK

NÃO INFORMADO

 

ENCERRADO

NÃO