À primeira vista, a aglomeração no auditório do espaço Vivo Rio, no Rio de Janeiro, no último sábado (09), lembrava os momentos que antecedem a um show voltado ao público adolescente. Mais de mil pessoas, a maioria jovens, aguardavam ansiosas para receber o certificado de habilitação para trabalhar como voluntário na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.
Jovens como as amigas Érica Cristina, de 18 anos, e Daniela Guimarães, de 19, ficaram sabendo da oportunidade através dos cursos técnicos profissionalizantes do SENAI e viram na iniciativa uma chance de adquirir experiência e contribuir para a Rio+20. Esta é a primeira experiência como voluntárias da qual participam.
“Eu me inscrevi para melhorar o meu currículo e para ter uma experiência com culturas diferentes”, diz Érica. “Eu queria ver pessoas diferentes e participar de uma conferência que é tão importante”, afirma Daniela, que junto com outras duas amigas, também esperam “contribuir para a disseminação de valores entre a sociedade”.
E da Rio+20, o que essas jovens esperam? “Esperamos que mude a cabeça das pessoas, que elas possam entender que precisamos ser mais preocupados com o meio ambiente. Desde a Eco 92, vemos que já mudou um pouco, mas esperamos que mude mais”, concordam as amigas.
A estudante universitária Franciele dos Santos acredita que a participação nas atividades da Rio+20 vai ajudá-la a adquirir mais conhecimentos que a farão progredir na profissão. Cursando faculdade de Administração, Franciele também soube da seleção através de um curso técnico do qual havia participado. “Espero que trabalhar como voluntária da Rio+20 me ajude a exercer a profissão e me valorize profissionalmente”, disse a jovem, em sua terceira experiência como voluntária.
Mas não são somente jovens que vão atuar como voluntários. Entre o público, encontramos pessoas experientes como Silvia, de 59 anos, e que desde os 18 pratica atividades desse tipo. “Acho que este é um ato de cidadania, e que todos devem participar”, acredita. Retornando ao Brasil depois de mais de 30 anos morando nos Estados Unidos, a assistente social também procura, com a atividade voluntária, uma forma de atualizar sua rede de contatos profissionais. Sobre a expectativa em relação à Rio+20, é cautelosa: “Na verdade, é uma incógnita. É um assunto muito delicado, mas tenho esperança de que daqui saia algum acordo concreto”, diz.
Também entre os 1.191 voluntários que receberam o certificado, estava Bruno Machado da Silva, 30 anos. Bruno é um dos 50 voluntários com deficiência selecionados para trabalhar na Rio+20. Os volutários com algum tipo de deficiência totalizam 4% do total dos selecionados. Apesar de representar um avanço para este tipo de iniciativa, o número ainda é considerado baixo na opinião do Ministro Laudemar Aguiar, Secretário Nacional de Organização da Rio+20, já que, no Brasil, 23,9% da população tem alguma deficiência. “Por isso temos o desafio de inclusão social e acessibilidade não só na Rio+20, mas em todo o Brasil”, disse Aguiar na abertura da programação cultural do evento.
O Programa Voluntariado Rio+20 oferece aos participantes uma bolsa-auxílio de R$ 35 por dia de trabalho, somados aos R$ 25 recebidos por dia de treinamento. Para Bruno, trabalhar como voluntário da Conferência vai lhe dar também a chance de ganhar dinheiro e contribuir com as despesas da família. Dona Maria, mãe de Bruno, que o acompanhou durante a atividade, explica que, mesmo sendo uma quantia modesta os recursos vão ajudar a complementar a renda familiar.
Programa Voluntariado Rio+20
O Programa Voluntariado Rio+20 é uma iniciativa conjunta do Comitê Nacional de Organização (CNO) da Rio+20, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do programa de Voluntários das Nações Unidas (VNU), da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (FIRJAN) e da Secretaria de Educação do Estado do RJ.
Ao todo, o programa recebeu mais de 10 mil inscrições. Foram oferecidas vagas para universitários (graduação e pós-graduação) ou para profissionais formados, voluntários jovens (de 18 a 29 anos, provenientes de famílias de baixa renda do Rio de Janeiro, participantes ou ex-participantes de cursos profissionalizantes) e voluntários do ensino médio. Ao final do processo, 1.191 voluntários foram selecionados e, após passar por um curso de formação, receberam os certificados para atuar na Rio+20, em atividades relacionadas ao evento e em ações diversas nas áreas de sustentabilidade, tecnologia da informação e orientação e apoio à sociedade civil, entre outras.
A cerimônia que celebrou a entrega dos certificados de formação contou com a participação do Representante-Residente do PNUD no Brasil, Jorge Chediek e de Marco van der Ree, chefe da Área de Parcerias da Divisão de Parcerias e Comunicação do programa VNU.