'Mulheres do caldeirão' têm apoio do Ibama

Associação que produz sabonete a partir de ervas aromáticas organiza evento no AM; parte da comunidade acha que sócias são bruxas

06 Julho 2004

Crédito: ProVárzea/Divulgação

da PrimaPagina

No pequeno município de Silves, encravado no meio da Amazônia, mulheres se reúnem em torno de panelões no fogo. Homens não podem participar. Essências aromáticas, óleos, velas e ervas dão um ar diferente ao local. Nas redondezas, desconfia-se de bruxaria.

"Falta só o chapéu de bico e os vestidos", brinca Bárbara Schmal, uma das "suspeitas" sócias da Associação Viva Verde da Amazônia (Avive). "Mas o povo sabe que somos do bem", emenda, rindo.

No entanto, o "negócio de cheiros" que encuca parte da comunidade nada mais é que a fábrica de sabonetes, velas e ervas medicinais da Avive. Aprovado como "iniciativa promissora" pelo ProVárzea/Ibama (Projeto Manejo dos Recursos Naturais da Várzea), apoiado pelo PNUD, o projeto já deixou de prometer há muito tempo. Agora cumpre.

A capacidade de produção das 33 associadas é de 3 mil sabonetes por mês. Elas compram a base glicerinada pronta e adicionam essências de espécies nativas, como pau rosa, copaíba, cumaru, andiroba e melão-são-caetano, entre outros. Também fazem velas repelentes de insetos, velas aromáticas, incenso medicinal, artesanato, e uma mistura aromática para ambientes, que é exportada para a Alemanha e para o Japão.

A importância da associação para o local extrapola o viés econômico — também tem papel decisivo na preservação das plantas nativas e no fortalecimento da auto-estima das mulheres. Essas três questões são os pilares do "1° Encontro Intermunicipal de Mulheres do Médio Amazonas em Silves (AM) — Cidadania, empreendedorismo, saber tradicional e meio ambiente", promovido pela Avive, que acontecerá de 2 a 7 de agosto.

A primeira oficina do evento será sobre violência de gênero, identidade e auto-estima. O objetivo, segundo Bárbara, não é orientar as mulheres a correr para a delegacia se o marido ameaçar ou bater. Isso elas já sabem, afirma. "Queremos que as mulheres descubram seu valor para que isso não aconteça. Acreditamos que se elas tiverem algo a fazer, um trabalho, ganharem algum dinheiro, não vai acontecer", explica.

Haverá também uma oficina coordenada pela superintendente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em Manaus, Maria Bernadete Mafra de Andrade. De acordo com a sócia da Avive, as associações que querem documentar seu conhecimento tradicional podem criar um "livro dos saberes" e registrá-lo no Iphan como patrimônio cultural.

"A superintendente orientará as associações sobre como agir para obter esse registro. E é importante lembrar que saber tradicional não é só para remédios. É também para cerâmicas, desenhos e outras coisas", diz Bárbara. Entre as demais discussões previstas estão a transformação de habilidades em atividades produtivas, o papel da mulher empreendedora e biodiversidade e bioética.

Para descontrair e promover a troca de experiências, serão organizadas três "Oficinas das Bruxas" — todas durante a noite. Os temas são danças, cantorias, aspectos curativos das plantas, receitas e histórias de personagens tradicionais. Haverá fogueira e as mulheres ficarão reunidas em volta dela. "Mas não queremos fazer nada muito místico. A idéia é mais fazer uma reunião", ressalva Bárbara.
Projeto Relacionado
BRA/00/008

 

TÍTULO

Programa de Apoio ao Manejo dos Recursos Naturais da Várzea (ProVárzea)

 

PROJETO

BRA/00/008

 

ENTIDADE EXECUTORA

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), do Ministério do Meio Ambiente (MMA)

 

ENDEREÇO DA COORDENAÇÃO

Rua Ministro João Gonçalves de Souza s/n,
Distrito Industrial, CEP 69075-830, Manaus, AM


 

ÁREA GEOGRÁFICA

Áreas de várzea da região central da Bacia Amazônica

 

UF

NÃO INFORMADO

 

OBJETIVO

1) Estabelecer base técnica e científica para formulação de políticas públicas para conservação e gerenciamento dos recursos naturais da várzea da região central da bacia amazônica, com ênfase nos recursos pesqueiros.
2) Desenvolver sistemas de manejo dos recursos naturais da várzea que sejam econômica, social e ambientalmente sustentáveis.
3) Desenvolver, testar e implementar sistema integrado de monitoramento e controle do uso de recursos naturais da várzea em Santarém e Silves.


 

RESULTADO ESPERADO

1) Realização e disseminação de estudos sobre regiões de várzea.
2) Articulação entre governo e órgãos não- governamentais para elaborar propostas de políticas públicas.
3) Desenvolvimento e teste de modelos alternativos de uso de recursos naturais pela população ribeirinha.
4) Estruturaçao e implantaçao de sistema de informações geográficas para Santarém e Silves.
5) Redefinir e desenvolver normas, procedimentos e instrumentos de monitoramento e controle nessas duas áreas.


 

RESULTADO OBTIDO

NÃO INFORMADO

 

DATA DE INÍCIO

01/04/2000

 

DATA DE TÉRMINO

NÃO INFORMADO

 

DATA DE CONCLUSÃO

31/12/2007

 

ORÇAMENTO

US$ 9.853.438 — Total
US$ 4.634.067 — Dep. para o Desenvolv. Internacional
US$ 1.963.066 — KfW
US$ 1.224.026 — Governo do Brasil
US$ 2.032.279 — Rainforest for Trust Fund

Total implementado até 2008: US$ 7.663.074,32


 

UNIDADE

Meio Ambiente e Energia
Responsável no PNUD: Carlos Castro


 

LINK

NÃO INFORMADO

 

ENCERRADO

SIM