Em Porto Alegre, o bairro com melhor IDH está a apenas 15 minutos de carro do pior

Indicador da pior região é comparável ao da Namíbia; índice da melhor, no bairro vizinho, ao da Islândia (líder no último ranking mundial)

23 Abril 2009

Ivo Gonçalves/ Prefeitura de Porto Alegre

TIAGO MALI
da PrimaPagina


Com 9.800 km², a Região Metropolitana de Porto Alegre ocupa uma área do tamanho do Líbano. Da área que possui o pior IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), o Loteamento Santa Terezinha, no bairro Floresta, até o local com melhor índice, bairros Auxiliadora e Mont Serrat, são aproximadamente 15 minutos de carro — ambas estão próximas do centro de Porto Alegre. Suas disparidades de desenvolvimento humano, no entanto, são continentais. O loteamento tem um IDH-M de 0,641, comparável ao IDH da Namíbia (0,634), que ocupa a 129ª posição num ranking de 179 nações. Já a região vizinha tem um IDH-M de 0,977, superior ao IDH do país mais desenvolvido do mundo nesse quesito (Islândia, com 0,968).

Essas informações estão no software Atlas do Desenvolvimento Humano da Região Metropolitana de Porto Alegre, a partir de agora disponível para download no site do PNUD. O Atlas, que traz cerca de 200 indicadores para 31 municípios, usa dados dos Censos de 1991 e 2000 do IBGE para dividir a região em 331 UDHs (Unidades de Desenvolvimento Humano, áreas que agrupam domicílios que têm situação socioeconômica semelhante).

Há diferenças metodológicas entre o cálculo do IDH para os países (que usa dados de 2006) e o do IDH-M dos bairros e grupos de bairros da Grande Porto Alegre (dados de 2000, os mais recentes). Mas a comparação dos resultados torna possível salientar as disparidades da região metropolitana. Ela abriga, por exemplo, três áreas que, se fossem países, poderiam ter o melhor IDH do mundo: além de Mont Serrat e Auxiliadora, Petrópolis -Avenida Ijuí (IDH de 0,976) e Bela Vista/Petrópolis/ Grêmio Náutico União (0,972). Se a comparação fosse feita com os municípios brasileiros, há 37 localidades da região metropolitana em situação melhor que o maior IDH-M nacional (o de São Caetano do Sul, 0,919).

Piores e melhores

A região metropolitana como um todo possui alto desenvolvimento humano – seu IDH-M é de 0,830, comparável ao de um país como a Arábia Saudita (0,835). No entanto, ainda é possível encontrar bolsões de pobreza dentro de regiões bem desenvolvidas, como as próximas ao centro da capital – é nelas que estão localizadas as maiores desigualdades. É o caso da Vila Biriba, que divide a posição de pior IDH-M (0,641) com o Loteamento Santa Terezinha e fica ao lado de bairros como Jardim Bento Gonçalves (IDH de 0,913). Nessa situação também está a Vila Zero Hora (0,676), que fica cercada em todas as direções de regiões com IDH superior a 0,900.

A discrepância, no entanto, não é privilégio da capital. O município de São Leopoldo, por exemplo, apresenta, lado a lado, índices superiores a 0,900 e inferiores a 0,700. Gravataí também conta com regiões de IDH alto fazendo fronteira com áreas de menor desenvolvimento humano.

Mesmo com a grande desigualdade, não havia em 2000 nenhuma região com baixo desenvolvimento humano (IDH abaixo de 0,500), e os piores índices ainda eram melhores que os de 1.569 municípios brasileiros (20% do total). Embora 40% das UDHs fossem de alto desenvolvimento humano (com IDH acima de 0,800), 70% da população morava nesses locais, um aumento em relação aos dados de 1991 (eram 60%).

Subíndices

Uma análise dos três subíndices do IDH-M mostra que que a Região Metropolitana de Porto Alegre se sai melhor em educação e pior em longevidade. O IDH-M Longevidade (calculado a partir da esperança de vida ao nascer) da região é 0,779, equivalente ao da República Dominicana (100º no ranking mundial desse quesito).

Já o IDH-M Educação (que leva em conta alfabetização e frequência à escola) é de 0,921, maior que o do Chile (0,918, 47º no ranking global).O IDH-M Renda (que usa como base a renda per capita e, no caso do IDH, o PIB per capita) ficou em 0,791, próximo ao da Turquia (0,792, 61ª no ranking).